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Produção de vinho exige regulamentação

Redação
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A produção de vinho no Brasil exige uma regulamentação que garanta ao consumidor a qualidade da bebida que consome. Essa é a opinião do enólogo Antonio Maccieri, que ministrou uma palestra em Bauru na noite de ontem, na Sociedade Italiana Dante Alighieri.

Maccieri trabalha na Riunite - Viticoltori per Tradizione, que produz 70 mil toneladas de uva por ano. Em sua passagem por Bauru, ofereceu uma série de informações sobre a produção, o comércio e o consumo do vinho. Uma delas é que a qualidade do vinho não está diretamente ligada ao grau alcoólico.

O enólogo conheceu o vinho brasileiro há dez anos e afirma que o clima do País não é adequado para a produção da bebida. Aqui é muito difícil fazer um vinho de alta qualidade. Primeiro, tem que fazer uma boa produção da uva. Fazer quantidade não é fazer qualidade, adverte.

Na oportunidade, Maccieri analisou 10 vinhos brasileiros quanto à quantidade de conservantes que continham. Nove deles não poderiam circular na Itália devido ao alto índice dessas substâncias. Para fazer um vinho sem conservante é necessário muito investimento, afirma.

Na opinião do enólogo, deveria ser feita uma lei federal que regulamentasse a produção do vinho no que concerne à quantidade de conservantes permitida.

A história do vinho, segundo Maccieri, data de três mil anos. O vinho era um produto da alimentação para ocasiões especiais. Somente os ricos utilizavam o produto, diariamente, na comida, conta.

Os vinhos produzidos, no entanto, tinham elevado teor alcoólico. O álcool era a única forma conhecida para conservá-lo. Não havia tecnologia para conservação, para estudar a levedura e o fenômeno da oxidação. O único elemento para conservar o vinho por longo tempo era o álcool, salienta.

O vinho tinto, desde o início, era mais consumido que o vinho branco. Vinho tinto tem mais vitaminas naturais da uva, tem mais álcool e é mais fácil para conservação. O branco é mais delicado, explica.

Somente por volta do ano 1700 é que a produção do vinho ganhou características mais avançadas. Maccieri cita os espumantes como exemplo. Nessa época, um padre foi o primeiro a lograr a fermentação na garrafa, nascendo o champanhe.

Desde o surgimento do vinho, a Itália sempre cultivou a tradição de produzir regionalmente a bebida. Apenas uma parcela dos bons vinhos italianos é exportada e conhecida mundialmente, segundo Maccieri. 50% do vinho italiano são consumidos na própria Itália, afirma.

Através de um projeto promovido pela Riunite - Viticoltori per Tradizione, Maccieri fará palestras no Brasil durante três anos com o objetivo de informar consumidores e clientes sobre o vinho.

Ontem, Maccieri falou sobre os diversos tipos de classificação do vinho e sobre sua experiência como enólogo não apenas na Itália, mas nos Estados Unidos, na Austrália e na França. Aqui no Brasil, as pessoas nem sempre têm as informações sobre o vinho, diz.

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