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Atraso na entrega de carro gera BO

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

O atraso de 43 dias para receber o carro 0 km que comprou pagando R$ 14,6 mil à vista levou o aposentado Benedito Ribeiro de Almeida, 71 anos, a registrar um Boletim de Ocorrência (BO) - no 3.º Distrito Policial de Bauru - e procurar o Procon. Segundo Almeida, o veículo Celta (marca GM) foi adquirido no dia 9 de outubro, na Martins Veículos, com data de entrega marcada para até oito dias após essa data. Em contato com a direção da empresa, a reportagem foi informada que o problema será resolvido até a próxima sexta-feira, dia 7.

Munido do BO e da cópia da nota de compra do carro emitida pela concessionária, Almeida procurou o Jornal da Cidade para denunciar o caso. No dia 9 de dezembro vai completar dois meses que eu comprei o carro e a concessionária me prometeu entregar dali a oito dias. Falei com o dono da empresa ontem (quarta-feira), por telefone, e ele me disse que não tinha o carro para entregar e nem dinheiro para me devolver. Fiz o BO, hoje (quinta-feira), mas lá no Procon eu não consegui registrar a queixa. O funcionário me disse que não adiantava registrar o caso. Não sei mais o que faço, conta o aposentado.

Antônio Martins, proprietário da concessionária - que foi descredenciada pela GM há cerca de um mês -, diz que o comprador não entendeu a explicação que foi dada a ele e que o veículo será entregue, no máximo, até a próxima sexta-feira.

O que houve é que a montadora efetuou mudanças em alguns equipamentos do Celta. Quando o senhor Benedito fez a compra aqui, o modelo ainda era 2001 e ele exigiu um 2002. Para receber o modelo novo haveria um pequeno atraso, mas ele foi avisado. Só que a concorrência começou a encher a cabeça dele, dizendo que não ia conseguir receber o carro e isso o deixou muito nervoso. Então, no fundo, tudo não passou de um mal entendido. Ele vai receber o carro até sexta-feira que vem, afirma.

Em contato com a GM, a assessoria de imprensa informou à reportagem que não seria possível falar especificamente sobre esse caso. Mas, que qualquer pendência que exista entre cliente e loja (Martins) deverá ser resolvida localmente, já que a empresa foi descredenciada pela GM, recentemente.

Mal entendido

Sobre a informação fornecida a Almeida por um atendende do Procon, de que a queixa não seria registrada, o coordenador do órgão de defesa do consumidor, Silvio Orti, diz que deve ter havido uma interpretação errada por parte do reclamante. Segundo Orti, a queixa pode ser registrada a qualquer momento, já que se trata de um direito de todo consumidor. Porém, a equipe do Procon estaria orientada a explicar que o registro seria infrutífero, pois o proprietário da Martins já teria afirmado ao coordenador - em outra ocasião - que a empresa está passando por problemas e dificuldades financeiras.

Já recebemos outras duas reclamações de clientes da concessionária. Em reunião anterior com Antônio Martins, ele nos disse que a empresa está negociando suas dívidas com credores para poder honrar seus compromissos, já que isso não estaria sendo possível no momento. O Procon só pode agir administrativamente. Ou seja, nós registramos a queixa e marcamos a audiência com as empresas denunciadas para tentar o acordo entre as partes. Quando isso não ocorre, o caso vai para a Justiça. No caso da Martins, já sabemos que não será possível estabelecer um acordo e é isso que foi dito ao senhor Benedito, afirma Orti.

De acordo com ele, o reclamante foi orientado de que poderia ser, até mesmo, prejudicado em sua finalidade de resolver o caso o mais rápido possível se registrasse a queixa. Isso porque, a partir do registro, a audiência é realizada entre 30 e 40 dias depois. Como o desfecho desse caso já seria conhecido (já que um acordo intermediado pelo Procon seria impossível, no momento), seria melhor para o reclamante não ter que esperar esses 40 dias e ir diretamente à Justiça exigir seus direitos.

Nos outros dois casos registrados no Procon, um deles foi resolvido. Neste, o cliente teria aceitado receber da loja um carro semi-novo, segundo Orti. A outra queixa registrada está em andamento, com a audiência já marcada. Em um novo contato com Benedito Ribeiro de Almeida, a reportagem explicou o mal entendido alegado pelo coordenador do Procon. Almeida diz que aguardará até a próxima sexta-feira antes de procurar a Justiça.

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