Criado na década de 60, o Coral está realizando a XVI Série de Concertos de Natal e já se apresentou por várias cidades.
São Manuel - Dentro da XVI Série de Concertos de Natal, o Coral São Manuel estará realizando apresentações hoje, 1 de dezembro, às 21 horas, na Igreja Matriz de São Manuel, e amanhã, às 20h15, na Basília Menor de SantAna (Catedral), de Botucatu, todas com entrada franca.
O Coral São Manuel, criado na década de 60 por iniciativa do compositor e regente Padre José Girardi, sofreu diversas alterações. Mas, foi em 1981, sob a direção das professoras Maria Amélia Ramos de Oliveira Faraco e Maria do Carmo de Oliveira Faraco que apresentou a I Vigília de Natal e, no ano seguinte, o I Concerto de Inverno, evento este precursor do que viria a ser sua principal atividade, mesclando seu repertório sacro com músicas profanas.
Na sucessão da regência vieram as professoras Elizabeth Neli Santiago e Marisa Daniel Barbosa de Carvalho, com formação em Música. Em 1991, sob a regência de Antonio Carlos Martorelli de Lima, diversificou ainda mais seu repertório, encontrando então, seu caminho definitivo. Esse repertório é hoje totalmente eclético, indo da mais pura renascença até a música contemporânea, passando por negro spirituals, folclore, música erudita brasileira e música popular, sem nunca esquecer da vasta e maravilhosa musicografia sacra. Desta forma tem atuado em diversas cidades, participando de encontros e missas.
Desde o ano de 1995, quando classificou-se em segundo lugar no Mapa Cultural Paulista, pela região de Sorocaba, realizado em Avaré, vem participando deste evento promovido pela Secretaria Estadual da Cultura, com destaque e aclamação do público, pelas cidades da região.
No ano de 1998 gravou o CD Eccho, com repertório de músicas da Renascença e do período colonial brasileiro. O Coral São Manuel, portanto, permanece como um grupo autônomo e amador que conta com elementos dos mais diversos setores da sociedade, que ao canto coral se dedicam pelo simples e puro prazer de cantar. Durante todo o ano, elabora um rico e eclético repertório para apresentá-lo, agora, na tradicional Série de Concertos de Natal.
Repertório privilegiado
Para a XVI Série de Concertos de Natal, o Coral preparou um repertório próprio para coro a cappella. Há músicas com arranjos para até seis vozes, como é o caso do tradicional Noite Feliz, harmonizado por um Irmão Marista, em que uma belíssima sexta voz, soprano 1, foi incluída por Amélia Ramos de Oliveira Faraco.
In Dulci Jubilo é uma composição consagrada, de autoria atribuída a Michael Praetorius, que o coral apresenta com harmonização de Bach. A música principia com um coral severo, em estilo protestante, e depois se abre em estilo fugato a quatro vozes. O efeito geral da música é arquitetônico. Joga com os timbres da mesma forma que os pintores jogavam com cores, luz e sombra.
Na peça Locus Iste, encontra-se um Bruckner mais litúrgico, isto é, mais profissional. Falar de fervor é possível, mas também arriscado. Em peças como esta, aparece mais o organista trabalhador e eficiente do que o compositor inspirado e valente da Missa em Fa menor. Por isso mesmo, está-se diante de uma obra perfeccionista.
O moteto O Magnum Mysterium é uma das últimas obras primas do renascentista Victoria. Serenamente ela vai se abrindo em quatro vozes, quando expressa a maravilha com que, ternamente, os animais envolvem a manjedoura do Menino Jesus. Então, com um maravilhoso silêncio musical, Victoria parte para O beata Virgo. Por fim, o Alleluia; uma dança em três tempos termina a música acelerando-se até o final.
Outros dois motetos também merecem destaque: Pueri Hebraeorum e Pange Lingua. O primeiro, do século XVIII, de autor desconhecido, encontrado em Piranga, Minas Gerais, e o segundo de Jezuíno do Monte Carmello, que viveu em Itu, entre os séculos XVIII e XVIX. Duas peças de rara beleza, genuinamente dentro do estilo colonial brasileiro. Outras obras abrilhantam o concerto, entre elas algumas tradicionais natalinas.