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Maioria dos pacientes adere ao tratamento

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Com a diminuição da carga viral, o primeiro resultado a ser notado pelos portadores de aids é o renascimento do próprio organismo. Ao invés de debilitado, o corpo ganha energia e a pessoa consegue levar uma vida praticamente normal, sem o constrangimento de aparentar a doença.

De acordo com a presidente da Sociedade de Apoio a Pessoas com Aids de Bauru (Sapab), Mafalda Sparapan, a maioria dos doentes de aids da cidade aderiu ao tratamento com o coquetel. A pessoa se sente mais segura quando está tomando os remédios. A aparência melhora e o paciente passa a ter perspectiva de vida, disse.

Com a experiência de quem lida com a aids há 10 anos, Mafalda garante que o mundo vive um novo estágio da doença. Os avanços da medicina são fabulosos. Hoje já não reconhecemos um doente de aids apenas pela aparência. As pessoas estão mais fortes e muito mais saudáveis, disse.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, de 1997 para cá, os gastos com internações em conseqüência das chamadas doenças oportunistas caíram 80%. Em termos econômicos, isso significa uma economia para o governo de US$ 677 milhões.

Essa revitalização ajuda os pacientes a levarem uma vida praticamente normal. Dependendo do seu estado de saúde, eles podem praticar esportes, trabalhar, namorar e até fazer sexo (desde que não se esqueça de usar preservativos).

A atividade mais exaltada, no entanto, é a capacidade de trabalhar e se auto-sustentar. O trabalho, além de garantir renda, é uma verdadeira terapia para os pacientes, salientou Mafalda.

O problema está justamente em conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Apesar de todos os esclarecimentos que foram feitos ao longo desses 20 anos de existência da doença, as pessoas ainda não entendem que aids não se pega pelo ar, pelo contato com a pessoa contaminada.

Os depoimentos de pessoas que desenvolveram a doença (leia nos quadros) comprovam essa premissa. Praticamente todos eles perderam o emprego quando os patrões descobriram sua condição de saúde e o retorno ao mercado de trabalho é praticamente impossível.

Relaxando na prevenção

O controle da doença através do coquetel de remédios pode estar causando um efeito preocupante na sociedade: o do relaxamento na prevenção. De acordo com Mafalda Sparapan, muita gente pode estar deixando de se cuidar contra a contaminação por achar que a aids não é tão nociva quanto antigamente. É difícil mensurar até onde as pessoas estão se prevenindo, mas eu sinto que já não existe o mesmo temor de antigamente. E isso é muito perigoso, disse.

Apesar de ter se tornado uma doença crônica, a aids ainda não tem cura e o seu tratamento é extremamente doloroso para quem está infectado. A prevenção ainda é a única terapia estritamente correta, salientou Mafalda.

Para a infectologista Denise Arakaki, essa realidade já começa a aparecer nas estatísticas. A gente observa que existe um crescimento no número de casos entre os homossexuais jovens, que era uma fatia da população que já tinha controlado bastante a disseminação da doença, disse.

Já o também infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa, membro da Sapab, não acredita nessa possibilidade. Acho pouco provável que as pessoas tenham perdido o medo de adquirir o HIV. Elas temem a aids mais do que qualquer outra doença.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em mulheres, a transmissão sexual sempre foi a principal via de infecção pelo HIV, mas passou de 67% dos casos de aids notificados entre elas, em 1991, para 76,7%, em 2001. A transmissão sexual é responsável por 56,6% dos casos registrados entre mulheres, desde 1980.

HIV sem aids

A falta de informação leva muitas pessoas a confundir HIV e aids. Vale ressaltar que nem todos as pessoas que possuem o vírus no organismo desenvolvem a doença.

De acordo com a médica infectologista Denise Arakaki, isso ocorre pela própria resistência física da pessoa. Tem gente que é mais vulnerável à doença, pois tem o organismo debilitado. As que praticam esportes, não fumam, alimentam-se corretamente, tem menos possibilidade de desenvolver a doença, disse.

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