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Nome e sobrenome: "irmãos Willys"

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Experimente chegar na pacata Piratininga e perguntar pelo André Luis Silva e pelo Paulo Eduardo Silva. Provavelmente, a resposta mais comum será: Não os conheço!. Agora, se ao entrar na cidade você pedir informações sobre os irmãos Willys, certamente não terá dificuldades em encontrá-los.

A razão de tal associação deve-se à identificação de ambos com os automóveis Aero Willys, que a exemplo de outros da época, foram marcantes na década de 60. A paixão dos jovens pelos carros já ultrapassou os limites piratininguenses. Presença garantida nos encontros de veículos antigos promovidos em várias cidades do Estado, os irmãos ficaram conhecidos pelos belos carros que possuem, fato que justificou a criação do apelido.

O pontapé inicial do amor de ambos pelos Aero Willys foi dado pelo seu pai, que possuía um modelo 67 bordô. Aprendi a dirigir olhando meu pai e adorava passear com ele no carro. Desde então, fui me apaixonando pelo veículo, revela André.

Ele conta que o seu maior sonho era possuir um Willys igual ao de seu pai, mas diferente somente na cor, cuja predileta era a preta. Consegui-lo, no entanto, transformou-se em uma tarefa hercúlea. Quando completou 16 anos, começou a trabalhar como mecânico. Anos depois abriu a própria oficina e, após muito sacrifício, finalmente adquiriu o seu carro dos sonhos em 1998, em Pederneiras. Zeloso, demorou mais de um ano e meio para restaurá-lo e deixá-lo a sua cara.

O irmão de André também demorou a ter o seu. Ele conta que, quando reunia-se com seus amigos para acampar, passava em frente a casa de um senhor proprietário de um Aero Willys. Todos ficavam babando no carro dele e eu sempre falava que um dia ia ter um carro daquele. Certa vez, o senhor queria vendê-lo, pois já não o utilizava muito, e bastaram vinte minutos de conversa comigo para eu fazer um rolo com ele. Valeu a pena esperar, relembra Paulo.

Modernizações

Apesar de serem admiradores dos carros antigos, os irmãos renderam-se à tecnologia moderna dos motores e implantaram várias modificações nos Aero Willys. A mecânica de décadas passadas é muito atrasada, tornando os carros beberrões, diz André, justificando a opção pelas alterações.

Para modernizar o seu Willys preto, ano 67, André investiu aproximadamente R$ 20 mil. Boa parte desse dinheiro foi gasto na troca do motor e do câmbio. O motor 4.1 a gasolina é o de uma caminhonete Silverado. A transmissão é de cinco marchas; os amortecedores da suspensão e o diferencial são de uma F1000; e o volante é de um Omega. Além disso, o veículo é dotado de rodas esportivas, embreagem hidráulica, servo-freio e painel com mostradores importados.

O outro Aero Willys, um roxo, ano 64, é o xodó de Paulo Eduardo e conta com pacote de equipamentos semelhante ao do seu irmão. Muitos mecânicos nos falavam que não íamos conseguir colocar injeção eletrônica e outros itens mecânicos nos carros. Mas fizemos aos poucos e, no final, tudo deu certo, afirma Paulo Eduardo. O dinheiro ajuda a fazer, entretanto se não tiver capricho não vai, complementa André.

Com as modificações, os automóveis ganharam ares de esportivos. Mas, quem pensa que os irmãos são de apostar corrida está enganado. Os Aero Willys só saem da garagem durante os finais de semana e também para se deslocarem até os encontros de autos antigos. Não fiz esse carro para correr. É puro gosto, destaca André. Para os serviços do dia-a-dia, os irmãos destinam uma Rural Willys 1972, segundo eles, um pé-de-boi para qualquer ocasião e terreno. Ela é pau para toda obra e vai para todo lugar, frisa Paulo Eduardo. Para enfrentar as tarefas cotidianas, os irmãos equiparam a Rural com um motor Opala, pedaleiras e servo-freio.

Mesmo com todo esse trabalho, os irmãos ainda não estão totalmente satisfeitos com os Aeros, tanto que já pretendem modernizá-los ainda mais. Quero colocar direção hidráulica e freios ABS. Carro, por mais que se mexa, sempre terá uma melhoria a ser feita, filosofa André.

Vendê-los? Nem pensar. Nem por um milhão de reais, concluem os irmãos.

Perfil

NomeAndré Luis Silva

ProfissãoMecânico

Idade32 anos

Estado civilCasado

Lugar para passearBarra Bonita

Time do coraçãoCorinthians

O que mais lhe irrita no trânsito ?As barbeiragens dos motoristas.

Quem você não colocaria como passageiro do seu carro ?O Fernando Henrique Cardoso, porque está acabando com o nosso país.

Quem você levaria como passageiro do seu carro?Minha esposa.

Perfil

NomePaulo Eduardo Silva

ProfissãoMecânico

Idade20 anos

Estado civilSolteiro

Lugar para passearBrotas e Barra Bonita

Time do coraçãoPalmeiras

O que mais lhe irrita no trânsito ?As barbeiragens.

Quem você não colocaria como passageiro do seu carro ?O FHC.

Quem você levaria como passageiro do seu carro?Se pudesse, toda minha família, que foi quem mais deu força para nós mexermos nos carros.

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