Está para sair da escrivaninha do ministro da Previdência Social um pacote de portarias e instruções diversas tendentes a modificar, em alguns setores, a sistemática do atendimento médico-ambulatorial adotado pelo Instituto. E, a partir da intenção, a iniciativa não pode deixar de ser plausível, porque a assistência médica das pessoas em geral - destacam-no todos os preceitos de humanitarismo que se costuma defender - é uma obrigação a que todos indistintamente, pagantes ou gratuitos da Previdência, desfrutam de indeclinável direito. É lógico, então, ou até mais que isso, que no caso específico dos contribuintes ou aposentados da PS o dever de zelar pelo cumprimento dessa obrigação cabe por inteiro a essa autarquia que, no entanto, jamais voltou suficientemente suas antenas para esse ângulo e parece que agora se despertou para isso e está, portanto, disposta a fazê-lo com desmedida vantagem, como que se penitenciando do descaso ou da condenável omissão até aqui desrespeitosamente atirada à figura humana de seus beneficiários. É forçoso reconhecer-se que, de tempos a esta parte, alguma coisa foi feita para suavizar o problema, colocando a instituição como que num aparente pedestal de vitória. Uma medida, no entanto, vai demorando para ser adotada, como seja a minimização das filas para atendimento ambulatorial, passo imprescindível porquanto machuca os olhos e dói no coração a dolorosa constatação de que não só adultos, principalmente idosos, como até mesmo recém-nascidos, muitas vezes febris ou tossindo, são forçados a se expor, nas calçadas dos ambulatórios, aos perigos de geadas ou mesmo frios normais, como aconteceu recentemente por ocasião das últimas quedas de temperaturas acontecidas no país. Aquelas bichas que se viram nas frentes dos ambulatórios ou dispensários, constituídas, a partir da madrugada, com centenas de seres carentes e doentes, foram de gerar lágrimas nos que por elas transitavam. Então, imperioso é que se pense e execute algo diferente, algo humano, algo realmente digno. E a ocasião é oportuna, quando os mentores de Previdência parecem voltar sua consciência para o panorama tisnado por essa iniqüidade. É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.