Daqui a uma semana aproximadamente os trabalhadores estarão recebendo a segunda parcela do 13.º salário, benefício que é esperado com ansiedade ao longo de todo o ano. Apesar da febre consumista que chega junto com o Natal, os economistas advertem para o mal uso do dinheiro. É sempre bom ressaltar os gastos inevitáveis do início do ano, como impostos e matrículas nas escolas, destaca o economista Wagner Aparecido Ismanhoto.
Depois de passar o ano todo fazendo contas para esticar o dinheiro, geralmente o trabalhador sente-se mais à vontade para ir às compras nesse período do ano. E é aí que está o perigo. Gastar sem controle pode trazer futuras dores de cabeça.
Ismanhoto lembra que o comércio, de uma forma geral, oferece condições muito atrativas para compras. Parcela em diversas vezes, predata cheque, aceita cartão de crédito, o que faz o cliente nem pensar duas vezes antes de adquirir um bem. As pessoas acabam sendo motivadas a gastar o que não tem, disse.
No início do ano, a cena se repete. Depois da euforia das festas, os carnês começam a aparecer de todos os lados. Além das dívidas adquiridas com compras natalinas, surgem os tradicionais tributos, como o Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor (IPVA), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), seguro obrigatório do carro, matrícula em escolas, material escolar, entre outras coisas.
Presentes sem exagero
O clima de Natal já é sinônimo de sacolas e muitas compras. Para a economia, isso significa um período bastante fértil e de muita animação. Lojistas comemoram as boas vendas, contratam funcionários extras para atender a demanda e ficam na expectativa de arrecadar o que ficou em falta durante o resto do ano.
O consumidor, por sua vez, aproveita para agradar a quem gosta, fazendo intermináveis listas de presentes. Outro dia eu vi o depoimento de uma senhora que disse que iria comprar 18 presentes. É um exagero, salientou Ismanhoto.
Para ele, a tradição de presentear não deve ser deixada de lado, mas as pessoas têm que eqüacionar essas contas. É claro que dar presentes no Natal é algo imprescindível. Mas, o consumidor tem que saber até onde estica o seu bolso, disse, ressaltando que, se não der para agradar a todos os membros da família, o ideal é priorizar aqueles entes mais próximos.
O que ele não aconselha é sair fazendo prestações sem calcular as suas conseqüências.
A falta de planejamento pode levar muitas pessoas a ficar com o nome sujo na praça. O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru, por exemplo, possui uma lista com 45.029 pessoas inadimplentes. O número é referente ao acumulado de janeiro a novembro deste ano. Só no último mês, foram 3.796 novos devedores registrados na entidade.
De acordo com o economista Wagner Ismanhoto, o ideal é que as pessoas tenham em mente que também precisam dar um presente para si próprias. Que tal utilizar o 13.º para se livrar de dívidas no cheque especial, no cartão de crédito ou mesmo no crediário?, sugere.
Dessa forma, fica mais fácil entrar no novo ano levando o espírito natalino.
A cozinheira Eliana Moreno Carvalho tem a receita de comprar bem na ponta do lápis. Ela e o marido nunca gastam além do que ganham. Eu sou extremamente controlada. Nunca faço uma dívida que eu sei que não poderei pagar, contou.
Às vezes, ela tem de abrir mão de comprar um bem para não comprometer o orçamento. Mas, a recompensa sempre aparece. Como não tem dívidas para quitar, ela aproveitou o 13.º salário para adquirir um móvel para a sala. Investi o meu 13.º em uma coisa que eu queria comprar há muito tempo, disse.
Ela parcelou a compra em duas vezes, conforme o recebimento do provento. Eu prefiro comprar sempre em poucas parcelas. Mas, isso depende do valor do produto. Se for muito alto, eu divido em mais vezes, explicou.