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Crianças surdas vão cantar no Centrinho

Redação
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Como parte de uma programação especial de Natal, um coral de crianças deficientes auditivas do Centrinho apresentará quatro canções natalinas, abrindo o evento A Noite do Pijama, hoje, às 19 horas, no Centro Educacional do Deficiente Auditivo (Cedau). As informações são da assessoria de imprensa do Centrinho.

O Cedau é um programa do Centrinho em parceria com a Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Crânio-Faciais (Funcraf). A Noite do Pijama é um acontecimento que se repete há cinco anos, com participação das crianças atendidas na instituição e de seus pais. É programada a chegada do Papai Noel, sempre de forma especial. Em 1996, o bom velhinho desceu do telhado, com muitos presentes.

Em 97, chegou ao Cedau ultrapassando o muro com uma escada do Corpo de Bombeiros; em 98, veio embrulhado para presente e as crianças o desembrulharam para receber a surpresa. Neste ano, o Papai Noel chegará em um trenzinho, animando as crianças com o seu sino. Isso às 22h30. Em seguida, todos, vestidos de pijama, farão uma pequena viagem pela cidade.

Muitas atividades encerrarão o ano no Cedau. No entanto, o momento mais aguardado será o da apresentação do coral. Serão 38 crianças, de 2 a 13 anos, cantando, com ritmo, afinação e harmonia, músicas natalinas. Quero ver você não chorar. Não olhar para trás, nem se arrepender do que faz. Quero ver o amor vencer, mas se a dor nascer, você resistir e sorrir... será uma das canções.

De acordo com a equipe de reabilitação do Centrinho, a criança portadora de deficiência auditiva deve ser vista na sociedade como qualquer outra, cheia de vida, brincalhona, e sua diferença precisa ser entendida como todas as diferenças que fazem parte da vida humana. Com essa filosofia, o hospital integra a música ao processo terapêutico com as crianças.

Elas adoram cantar, sentem-se orgulhosas e não vêem a hora de isso acontecer, assegura Maria José Monteiro Benjamin Buffa, coordenadora do Cedau. O coral é regido pelas pedagogas do programa e as crianças apresentam-se, ao longo do ano, em atividades educacionais e recreativas do Centrinho.

Aprender a ouvir

De acordo com Adriane Lima Mortari Moretti, fonoaudióloga do Centrinho, essas crianças conquistaram a possibilidade da linguagem oral porque participaram de um trabalho terapeutico intenso. As famílias precisam se envolver para que os filhos alcancem essas habilidades, aconselha. Adriane explica que, para se chegar a esse estágio, de compreensão e interpretação oral da música, é fundamental a detecção precoce da perda auditiva, ou seja, na maternidade.

A adaptação do implante coclear, que é o mais sofisticado recurso da medicina para reabilitação da surdez profunda, favorece o sucesso da criança. Em resumo, a fonoaudióloga identifica que o caminho para se chegar até a situação do canto está numa somatória do envolvimento familiar com o trabalho terapeutico voltado ao aproveitamento da audição residual e aquisição da linguagem oral.

Desde 1985, o Centrinho dedica-se à reabilitação da deficiência auditiva, através de programas que visam prevenir, educar, reabilitar e habilitar por meio de adaptações de aparelhos auditivos, cirurgias, acompanhamento foniátrico e de atividades terapêuticas.

A meta é atuar com a criança o mais cedo possível, favorecendo seu desenvolvimento cognitivo, seu processo de socialização e sua escolaridade. O Centrinho é um dos únicos hospitais que tem a relação da anomalia craniofacial em todo seu atendimento. Por isso, a procura pelos serviços é muito grande.

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