Laudo atesta que a recém-nascida encontrada morta, anteontem, no lixão de Agudos, nasceu com vida e morreu por asfixia
Agudos - A mãe do bebê recém-nascido que foi jogado no lixão de Agudos, anteontem, ainda não havia sido identificada até ontem à noite, mas a Polícia Civil que apura o caso já tem uma pista que pode levar a ela. Investigações constataram que o embrulho onde estava a criança foi coletado quando o caminhão, que recolhe lixo, passava pela Vila Vienense.
Outra constatação feita a partir de laudo médico foi que o bebê nasceu com vida e morreu vítima de asfixia mecânica. A criança, do sexo feminino, medindo 48 centímetros e pesando quase dois quilos e meio, apresentava escoriações na região frontal, principalmente na face esquerda. Quando foi encontrada tinha o cordão umbilical ainda ligado à placenta, aparentando ter nascido na noite anterior.
A Polícia Civil de Agudos instaurou inquérito para apurar o crime e já fez contato com órgãos de saúde para que estes providenciem nomes de gestantes que fizeram o pré-natal na cidade, nos últimos meses. No final da tarde de ontem, vários nomes já estavam em poder da polícia e devem ser checados um a um.
De acordo com o delegado Eron Veríssimo Gimenes, que preside o inquérito policial, a hipótese mais provável até o momento é mesmo a de infanticídio, como foi cogitado anteontem, ou seja, de que a mãe tenha dado à luz e em seguida, de alguma forma, causado a morte do bebê. A possibilidade de outra pessoa ter causado a morte da criança não está descartada mas segundo a polícia, se assim tivesse ocorrido, é bem provável que a mãe recorresse à polícia para queixar-se do fato, o que até ontem ainda não havia ocorrido.
Também não está descarta, segundo o delegado titular de Agudos, Paulo Calil, que a mãe tenha praticado o crime com o auxílio de outra pessoa. Na hipótese de a mãe ter praticado o infanticídio, ela, uma vez identificada, responderá pelo crime cuja pena, em caso de condenação, varia de dois a seis anos de detenção. A pena para esse tipo de crime é mais amena que a prevista para homicídio porque, segundo o delegado Calil, considera-se que a mãe, no período puerperal, possa estar em estado depressivo.
A recém-nascida foi encontrada já sem vida, no começo da tarde da última terça-feira, por servidores mucipais que trabalham na coleta do lixo em Agudos. Ontem, a polícia constatou que o veículo que coletou o lixo na Vila Vienense naquele dia era um caminhão de carroceria simples e não daqueles compactadores que vão esmagando o lixo ainda durante o percurso, nas ruas.