Geral

IPA tenta reduzir os custos com detentos

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O Instituto Penal Agrícola de Bauru (IPA) está se estruturando para, num curto espaço de tempo, ser auto-suficiente. A antiga escola rural dos anos 40 investe na agricultura e pecuária. A laborterapia dos presos já diminuiu em 20% os gastos com a alimentação. A meta da administração é diminuir 40%, no prazo de um ano.

Investimentos maciços estão sendo feitos nesta área, há mais de um ano e os primeiros frutos da empreitada já estão sendo colhidos. Na parte de alimentação, o presídio semi-aberto só adquire arroz e feijão, porque o solo arenoso não é bom para esse tipo de cultura, conforme explica o diretor, Gilberto de Assis Oliveira. Para o cultivo de arroz e feijão teríamos que investir muito e o preço final seria maior do que aquele que é praticado no mercado. O preso custa R$ 600,00/mês para o Estado. O detento do IPA custa R$ 480,00.

Os legumes, verduras e carnes consumidos pelos 580 detentos são produzidos pelos próprios internos, no trabalho diário. O cardápio, um dos mais variados possíveis, conta com carne de suíno, bovino e brevemente, com carne de javaporco, uma mistura de javali com porco. A experiência do cruzamento de animais, já tem a primeira ninhada que está com 15 dias.

Se a experiência der certo, o presídio pretende investir na criação dos animais, conta o diretor. É uma carne exótica com zero de colesterol, utilizada nos melhores restaurantes da Capital. Estamos fazendo uma experiência que poderá, no futuro, fornecer recursos financeiros para o IPA. A idéia é comercializar o excedente da carne de javaporco.

Para atingir o objetivo, todos os presos trabalham, frisa o diretor. Cada um em um setor. Tem detentos trabalhando na administração, fazendo faxina. Na horta, na criação dos animais, na área industrial, jardins e pequenos consertos. Diariamente, são coletados 250 litros de leite.

O trabalho para o preso, além de ser uma terapia é também sinônimo de remissão de pena, segundo o diretor. A cada três dias trabalhados, eles descontam um dia da pena. Aqueles que trabalham fora do presídio recebem 3/4 do salário mínimo. O dinheiro vai para um caixa e é rateado entre todos os presos.

O Estado, segundo o diretor, está ajudando com recursos financeiros, até que o presídio possa andar com as próprias pernas. Recebemos verba para a compra de produtos veterinários, sementes, ferramentas, adubo e ração. O maquinário passou por manutenção e estamos a todo vapor.

Projeto original

O Instituto Penal Agrícola de Bauru foi criado na década de 50. A antiga escola rural de Bauru transformou-se em presídio semi-aberto. A idéia, naquela época, era fazer com que os presos do interior paulista, pudessem aprender uma profissão que pudesse ser praticada nas pequenas cidades, de onde eles vinham. Na época, o projeto era preparar os detentos para a atividade agrícola.

Cinqüenta anos se passaram e hoje, 80% dos detentos recolhidos no IPA são da Capital. A atividade agrícola não seria o ideal para profissionalizá-los, uma vez que na cidade de origem deles há mais trabalho industrial, mas o cultivo agrícola é antes de tudo uma terapia.

Comentários

Comentários