Racionamento de energia, crise argentina e atentados influenciaram negativamente para perdas de postos de serviço.
A construção civil foi o setor de atividade econômica que mais fechou postos de trabalho em 2001. De acordo com estatística da Secretaria Estadual do Emprego e das Relações de Trabalho, 3.688 trabalhadores foram desligados de seus empregos até setembro deste ano. O saldo do setor, até o mês de setembro, foi negativo em 279 postos de trabalho.
Já o índice dos últimos doze meses pesquisados (de setembro de 2000 a setembro deste ano), revela fechamento de 334 postos de serviço no setor da construção civil.
Apesar do acumulado negativo registrado na construção civil, a diferença entre admissões e desligamentos nos setores de atividade econômica de Bauru foi positiva, este ano: 19.786 trabalhadores foram admitidos, contra 19.409 desligamentos.O comércio, por sua vez, teve um saldo positivo, nos últimos doze meses pesquisados pela Seert, de 279 postos de trabalho. 8.352 trabalhadores foram absorvidos pelo setor, de setembro a setembro.
Na opinião de Trindade da Silva Neto, diretor da regional Centro-Oeste do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscom-SP), diversos fatores contribuíram negativamente para a perda dos postos de trabalho na construção civil de Bauru. Ele destaca o racionamento de energia elétrica, a crise da Argentina, o atentado terrorista aos Estados Unidos e a alta dos juros. Eles atingem diretamente a construção civil como um todo. Isso vai minando o mercado, afirma.
O diretor regional do Sinduscom-SP acredita, ainda, que não há, no Brasil, política de financiamento para a habitação popular. Os juros seriam incompatíveis com o que o trabalhador poderia pagar. Para Silva, Bauru estaria apenas refletindo uma situação do Estado de São Paulo e de todo o País.
A projeção que tínhamos no final de 2000 era de que este ano seria um grande ano para a construção civil. No decorrer de 2001, tivemos inúmeros acontecimentos que levaram a construção civil a ter um ano muito difícil, enfatiza.
A previsão do Sinduscom-SP é de que 2002 seja um ano melhor que 2001. O dólar vem dando tendência de estabilizar, observa.
Mercado informal
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e Mobiliário de Bauru e Região, Cláudio da Silva Gomes, os dados da Seert refletem perda de postos de trabalho no mercado formal da construção civil. Ele afirma que, na prática, houve uma estagnação no setor. O mercado informal, portanto, estaria absorvendo grande parte dos trabalhadores.
A maior parte dos empregados teria sido demitida das empresas. Estas, absorveriam informalmente os trabalhadores deste setor, sem contrato de trabalho. Essa planilha reflete os dados do mercado formal de trabalho. Na prática, nós tivemos uma estagnação: nem ganho e nem perda. A atividade permaneceu, garante Gomes.
A crise econômica faria com que as empresas arriscassem mais no mercado informal de trabalho. Os empreendedores estariam apostando na fiscalização supostamente deficitária do Ministério do Trabalho. Ela mantém o empregado sem registro até que apareça a fiscalização. Elas sabem que só serão obrigadas a registrar quando forem pegas na fiscalização, afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores.
As conseqüências são reclamações trabalhistas e posteriores acordos junto à Justiça. Essa postura da Justiça de Trabalho de propor acordo a qualquer custo acaba indiretamente favorecendo a empresa, prejudicando o trabalhador e incentivando esse tipo de atividade. A empresa acaba pagando ao trabalhador o mesmo que ela pagaria se ela tivesse um contrato formal de trabalho, analisa.
A informalidade prejudicaria, portanto, o Estado e o trabalhador. O Estado perde muito na sua arrecadação - contribuições para a Previdência e para os recursos recolhidos para o trabalhador, salienta.
As condições da informalidade são aceitas pelo trabalhador como única alternativa para o sustento próprio e da família, devido à escassez dos postos de serviço. Nenhum trabalhador aceita o trabalho informal. Eles se resignam ao trabalho informal como única fonte de obter o trabalho. Ele de adapta à realidade imposta, à qual ele não tem como escapar, frisa.
Comércio
Para Walace Sampaio, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (SinComércio), o quadro indica estabilidade do setor comércio, apesar do saldo positivo dos postos de trabalho. Percentualmente, a evolução é muito pequena. O comércio tem conseguido manter suas vagas em função, principalmente, da Convenção que instituiu o banco de horas do comércio. As empresas podem utilizar a força de trabalho nos momentos de pico, fazendo com que, nos momentos de menor venda, não haja dispensa, acredita.