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Atentado aumenta venda do Alcorão

Redação
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O livro sagrado dos muçulmanos, tem atraído a atenção de curiosos que, em alguns casos, chegam a converter-se ao islamismo.

Além das conhecidas conseqüências econômicas, políticas e sociais dos atentados terroristas de 11 de setembro, amplamente divulgadas pela mídia, as ruínas das torres do World Trade Center, em Nova Iorque, influenciaram diretamente nas vendas de determinados livros em Bauru. O principal deles é o Alcorão, cujas vendas chegam a 30 exemplares por semana em algumas livrarias.

O Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, tem atraido a atenção de curiosos que, em alguns casos, chegam a converter-se ao islamismo. Aproximadamente 18% dos muçulmanos vivem no mundo árabe e a maior comunidade islâmica é a da Indonésia. Parcelas significativas também são encontradas na África e na Ásia e outras menos relevantes numericamente no Cáucaso, China, Américas do Norte, Sul e Europa.

No Brasil, a presença muçulmana é de cerca de 1,5 milhão de pessoas e é mais forte na Bahia. Apesar disso, as vendas do Alcorão em Bauru têm crescido significativamente. De acordo com Marli Ventura, gerente da livraria Jalovi dos Altos da Cidade, antes do atentado terrorista, o livro não era comercializado na loja. A procura cresceu após 11 de setembro e obrigou-os a encomendar diversos exemplares do livro sagrado. Agora não pode faltar na loja, diz.

Já a Jalovi do Centro, vendia o Alcorão em menor quantidade, anteriormente. De acordo com o gerente Nilo Sérgio Alves Júnior, a edição já está esgotada na editora. Atualmente, a loja chega a vender 30 exemplares por semana. Houve interesse maior pelos hábitos do Oriente Médio, acredita.

Não só o Alcorão, mas outros livros referentes à cultura árabe também estão sendo intensamente procurados nas livrarias. Alves cita Uma história dos povos árabes; Uma história de Deus - 4 mil anos em busca do judaísmo, cristianismo e islamismo; O livro das religiões; Jesus muçulmano e Bin Laden - o homem que declarou guerra à América. Este último, de Yossef Bodansky, foi lançado recentemente pela Editora Prestígio.

Experiência

A professora de inglês Milena Maniscalco, de 28 anos, viveu durante um ano e meio nos Estados Unidos e teve a oportunidade de relacionar-se com um rapaz da Arábia Saudita que a apresentou a amigos árabes.

Ela conta que, apesar de aceitar os costumes e a religião dos amigos e do namorado, nem sempre entendia determinados comportamentos. Por esse motivo, começou a ler sobre o islamismo já nos Estados Unidos. Eu comecei a ler por curiosidade e por estar muito ligada a isso. Fica mais fácil entender porque eles agem de determinada maneira, diz.

Chegando a Bauru, adquiriu um exemplar do Alcorão e iniciou a leitura. A primeira observação feita por Milena refere-se ao vocabulário utilizado no texto, que ela considerou forte. A leitura é fácil, mas é muito forte. Eu não consigo ficar mais de uma hora por dia lendo, expõe.

Apesar de ser espírita e de não concordar com muitos aspectos do que o Alcorão estabelece para o homem muçulmano, Milena confessa que chegou a pensar em converter-se. Não porque eu concorde, mas para poder ficar junto do rapaz que eu conheci. Ele só poderia se casar com uma mulher muçulmana, conta.

A professora desistiu da idéia em parte porque acreditou que não conseguiria viver seguindo os princípios do islamismo e também pelos empecilhos: autorizações do governo árabe e consentimento da família do rapaz, que estava prometido para casar-se com uma mulher da Arábia Saudita.

Eu fiquei chocada com algumas coisas que eles dizem e sei que eu ainda teria meus princípios espíritas, afirma.

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