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Manuscritos são saída contra plágio

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

A cópia de textos da Internet está se tornando uma prática comum entre alunos e já causa preocupação a professores.

Para garantir o total aproveitamento dos alunos nos trabalhos escolares, alguns professores estão tendo que retroceder no tempo. Ao invés de pedir um caprichado material digitado, eles estão optando por exigir tarefas escritas a mão.

Essa seria uma maneira de coibir o plágio, prática que vem se tornando cada vez mais comum nos dias de hoje. Graças à rede mundial de computadores, muitos alunos não estão se dando ao trabalho de nem ao menos ler o material que encontram na Internet. Eles simplesmente marcam o texto, copiam e depois montam em um editor do computador. Eu já cheguei a receber trabalhos de alunos que não se preocuparam nem em disfarçar. Eles imprimiram a página da Internet e me entregaram, inclusive com o endereço do site na página, disse o professor de História e Atualidades de uma escola particular de Bauru, Rodolfo Neves.

Mas, não são apenas nos estabelecimentos privados que essa epidemia tem sido notada. Mesmo no ensino público, no qual o acesso dos estudantes aos computadores é mais restrito, a cópia de temas da Internet está mudando o estilo de tarefa exigido pelos professores.

A diretora de uma escola estadual de Bauru, Rosângela Nora Bittencourt, conta que o problema tem sido detectado com grande intensidade no dia-a-dia das salas de aula. A Internet é uma via de informação muito rica, mas tem de ser usada de forma a enriquecer o estudo, disse.

Para tentar amenizar o problema do plágio, a diretora tem orientado os professores a voltar aos velhos tempos da caneta e do papel. A escola está exigindo trabalhos escritos a mão, com a caligrafia do próprio aluno. Sei que essa é uma medida paliativa. Mas, de qualquer forma, é uma maneira de ter certeza de que o aluno pelo menos leu o conteúdo do próprio trabalho, disse.

As disciplinas mais afetadas por essa febre de cópias são as da área de humanas e biológicas, como História, Geografia, Biologia e Literatura. Isso acontece porque, geralmente, elas requerem textos dissertativos, com conteúdo relativo a um determinado tema.

A facilidade que a Internet oferece começa aí. O estudante acessa qualquer site de busca, digita o nome do tema que está procurando, e uma lista de páginas aparece na tela do computador. A partir disso, basta escolher uma delas e fazer a cópia.

Falta qualidade

Nos últimos cinco anos, a Internet começou a fazer parte do cotidiano de um número cada vez maior de estudantes. Através da rede mundial de computadores, é possível viajar pelo mundo em busca de informações e enriquecer a pesquisa escolar. A tecnologia trouxe uma série de vantagens, mas muitos problemas também.

Um deles é a falta de controle sobre o que aparece aos olhos do estudante. Uma pesquisa feita pela Escola do Futuro (núcleo da Universidade de São Paulo) e pela intranet Ensino.net mostra que 10% dos sites que se posicionam como de conteúdo educativo, cultural ou artístico são de má qualidade. Segundo esse levantamento, que avaliou sete mil endereços eletrônicos, foram encontrados erros gramaticais e de informação nas home pages, além de pornografia e apologia às drogas.

Isso exige dos professores um acompanhamento bem mais próximo das fontes utilizadas para a pesquisa pelos alunos.

Pedro Roberto Ticianelli, diretor de um colégio particular de Bauru, disse que a orientação passada aos professores da escola é para que eles fiquem muito atentos às peculiaridades de cada aluno. O ideal é que os mestres exijam dos alunos textos interpretativos, ou seja, escritos com as palavras do próprio estudante, disse.

Já o dirigente regional de ensino, Jair Sanches Vieira, defende que os trabalhos escolares não devem ser uma tarefa finalizada, ou seja, eles devem servir apenas para suscitar discussões em sala de aula. O professor deve indicar os sites para a pesquisa e pedir uma análise crítica do tema, com discussões em sala de aula, salientou.

Ele acredita no potencial da Internet como ferramenta de ensino, mas ressalta que a fórmula para o aprendizado ainda está nas mãos dos professores.

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