Com o excedente, a Telefonica está ofertando uma segunda linha para quem se utiliza para conectar a Internet.
Com uma capacidade para abrigar 130.250 linhas de telefone fixo na central de telefonia que alimenta Bauru, a Telefonica registra uma quantidade atual de 116.470 linhas instaladas na cidade, resultando numa sobra de 13.780 disponíveis. A população da cidade gira em torno de 315 mil habitantes, segundo dados do último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano passado.
Em função disso, a operadora tem entrado em contato com um grande número de clientes residenciais e comerciais - não existe um levantamento específico sobre esses números - para incentivar a aquisição de uma segunda linha. Basicamente, os assinantes residenciais escolhidos para a oferta são os que possuem Internet em casa, informação da qual a Telefonica dispõe através do cadastro de clientes.
Três pessoas que conversaram com a reportagem sobre o assunto, mas pediram para ter os nomes preservados, contam que já receberam a ligação de funcionários da Telefonica oferecendo a segunda linha como vantagem para utilizar a Internet e o telefone ao mesmo tempo. Contudo, nenhuma dessas pessoas fez a nova aquisição, considerando-a desnecessária, no momento.
Por outro lado, segundo a assessoria de imprensa da Telefonica, em Bauru o índice que mostra a proporção sobre a quantidade de terminais fixos para cada grupo de cem habitantes supera a média estadual, que é de 33,8%. Em Bauru, esse índice é de 36,4% de linhas fixas instaladas para cada cem habitantes.
De acordo com a assessoria, em julho de 1998 existiam 71.753 assinantes de linha fixa em Bauru. No momento, este número é de 116.470, num crescimento de 62,3%. Porém, é mais barato comprar uma linha telefonica do que fazer a transferência de um local para outro. Atualmente, a Telefonica cobra R$ 76,72 por uma linha, contra R$ 93,42 pela taxa de transferência.
Mercado em baixa
Com as sucessivas quedas nos preços de linha telefônica fixa, que vêm ocorrendo há alguns anos, o mercado de aluguel de linhas desabou. Entre nove imobiliárias consultadas pelo JC, apenas três ainda trabalham com locação de telefones. Mas, mesmo assim, as linhas que ainda são administradas pertencem ou a clientes antigos que não querem vendê-las, ou a pessoas que deixam a linha para ser alugada juntamente com o imóvel. Nenhuma das empresas ouvidas pela reportagem está aceitando novas linhas para serem administradas e todas pretendem acabar com o mercado de locação.
Carlos José Galvão de Moura, proprietário de uma imobiliária, diz que, há três anos, tinha cerca de 250 linhas de telefone sendo alugadas. Atualmente, esse número é de apenas três linhas. Esse mercado acabou. Eu tinha um cliente, proprietário de linha, que acabou devolvendo-a para a Telefonica porque não conseguia alugar. Pelo preço que as linhas estão sendo vendidas não vale a pena alugar, nem para a imobiliária, nem para o usuário. O aluguel de uma linha gira em torno de R$ 35,00, diz.
Moura conta que, eventualmente, alguém ainda liga na imobiliária solicitando o aluguel de uma linha. Porém, esses casos são de pessoas que têm urgência e que alugam somente até a linha já adquirida ser instalada, procedimento que leva, em média 15 dias, segundo a Telefonica. Eu mesmo, recebo ligações constantes da Telefonica me oferecendo uma segunda linha para colocar na imobiliária, conta Moura.
Roberto Lima, dono de outra imobiliária, diz que já chegou a administrar cerca de mil linhas de telefone para locação. Atualmente, são cerca de 50. Segundo ele, para compensar a continuidade desse mercado para as imobiliárias seria necessário administrar entre 200 e 300 linhas, número considerado impossível para a realidade atual.
Essas 50 linhas que eu ainda administro são de clientes antigos. Mesmo assim, estamos incentivando os locatários a comprar uma linha, e os locadores a vendê-las, porque o nosso objetivo é acabar com esse mercado. Várias negociações já foram feitas entre os nossos clientes, afirma Lima.
Em outra empresa, a sócia-proprietária Madalena de Jesus Lima da Silva diz que, há aproximadamente três anos, administrava o aluguel de mil linhas telefônicas. Atualmente, esse número gira em torno de 20. Segundo ela, há um ano a imobiliária parou de aceitar novas linhas para serem administradas.
Ficou muito fácil adquirir uma linha, por isso, esse mercado está acabando. Pouquíssimas pessoas ainda nos ligam para saber se alugamos telefone. Para as imobiliárias, esse mercado não dá mais lucro. A tendência é acabar totalmente, em breve, observa Madalena.