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Viagens aos EUA tiveram queda de 90%

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Atentados terroristas e as sucessivas altas do dólar resultaram no aumento da procura por pacotes a localidades nacionais.

A procura por pacotes de viagens para os Estados Unidos teve quedas de 80% a 95% entre setembro e dezembro deste ano, na comparação com igual período de 2000. Os atentados terroristas ocorridos no dia 11 de setembro em Nova York e Washington, aliados às sucessivas altas do dólar dos últimos meses, resultaram no aumento da procura por pacotes turísticos a localidades nacionais, com destaque para o Nordeste.

Em algumas agências de turismo consultadas, o crescimento das vendas de pacotes nacionais para este fim de ano cresceu na mesma proporção das quedas registradas na procura por viagens ao Exterior. Países do continente europeu também tiveram o turismo prejudicado, nos últimos três meses deste ano, por esse cenário.

Em relação às viagens nacionais, as agências informam que a maioria dos pacotes turísticos comercializados entre outubro e dezembro (até ontem) foram para hotéis de alto luxo - os resorts. Talvez essa realidade seja um indicativo de que, mesmo optando por roteiros brasileiros, as viagens de final de ano estariam mais acessíveis a pessoas de uma privilegiada classe econômica.

Mesmo porque, ao contrário do que chegou a ser previsto por empresários do ramo de turismo logo após os atentados terroristas, muitas operadoras aumentaram os preços dos pacotes nacionais em função do crescimento da procura por viagens para o Brasil.

Mara Cristina Francisco, coordenadora de uma das agências de turismo consultadas pela reportagem, diz que, entre setembro e dezembro deste ano, a procura por viagens para os Estados Unidos teve queda de 80% a 90% (não foram fornecidas estatísticas mais detalhadas), em relação ao mesmo período do ano passado.

Com todos os acontecimentos mais recentes, incluindo crises econômicas e os atentados aos Estados Unidos, muitas pessoas que costumavam fazer viagens ao exterior no final do ano estão optando por destinos nacionais. As estadias em resorts estão sendo as preferidas pelos passageiros, porque esses hotéis oferecem uma estrutura muito parecida à econtrada em outros países, diz Mara.

De acordo com ela, em função do aumento da procura por destinos nacionais, a queda nas vendas de viagens internacionais não teria resultado em diminuição do faturamento da agência durante esse período - de setembro a dezembro. O crescimento das viagens dentro do Brasil ocorreu praticamente na mesma proporção da queda pela procura de pacotes para o exterior. Por isso, a agência manteve o equilíbrio dos negócios, afirma a coordenadora.

Europa em queda, Nordeste em alta

De acordo com Mara Cristina Francisco, a agência que trabalha teve vários casos de clientes que, na época dos atentados terroristas, cancelaram viagens marcadas também para a Europa. Os cruzeiros marítimos precisaram ser alvos de promoções para atrair os turistas, porque são cobrados em dólar. Por outro lado, no Brasil a venda de pacotes turísticos está em alta neste final de ano. Independentemente dos preços, as pessoas estão viajando muito pelo Brasil. Não tenho mais vagas para oferecer em nenhum pacote para o Réveillon, observa Mara.

De acordo com ela, os preços das viagens na época de alta temporada deste ano (a partir de outubro), especificamente para o Nordeste, estão cerca de 15% a 20% mais caras do que nesse mesmo período de 2000. Segundo Mara, um pacote com estadia de sete dias, em Fortaleza, num hotel de três ou quatro estrelas, está girando em torno de R$ 1,2 mil a R$ 1,4 mil por pessoa, com acomodação em apartamento duplo. Em dezembro do ano passado, o valor ficava entre R$ 980,00 e R$ 1.050,00.

Em outra agência consultada, a proprietária Carmem Célia Colete Tech afirma que, entre os meses de outubro e dezembro, não foi comercializado nenhum pacote turístico com destino aos Estados Unidos.

As únicas procuras por viagens a cidades dos Estados Unidos, até o momento, foram de pessoas que estão indo visitar familiares residentes naquele país. A queda nas vendas de viagens para lá é de aproximadamente 95%, na minha agência. Este final de ano está sendo marcado pelas viagens nacionais, com destaque para o Nordeste, como já é tradicional, observa Carmem.

De acordo com ela, entre setembro e dezembro do ano passado, de aproximadamente 40% dos pacotes que eram comercializados pela agência para diversas localidades do exterior, metade era referente aos Estados Unidos.

Brasil x exterior

De acordo com o diretor da Associação das Agências de Viagem Independentes do Interior do Estado de São Paulo (Aviesp), Paulo Eugênio Querino, números concretos só serão obtidos após o encerramento dessa temporada. Porém, ele adianta que o aumento da procura por viagens nacionais, em decorrência de todos os acontecimentos já citados, não correspondeu às previsões feitas logo após os atentados terroristas aos Estados Unidos.

Realmente, as viagens dentro do País aumentaram em relação a esse mesmo período do ano passado. Mas não na proporção que era esperada. Muitas operadoras de turismo elevaram os preços dos pacotes e transformaram o que poderia ser momento ideal para incentivar os turistas a viajar pelo Brasil, em empecilho financeiro para muitas pessoas. Além disso, os casos Transbrasil e Soletur (a maior operadora de turismo do País, que faliu recentemente) também prejudicaram esse cenário, analisa.

De acordo com ele, um levantamento do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), divulgado no mês passado, mostra que durante outubro de 2001 houve uma queda de 18,6% nos vôos internacionais em geral, partindo do Brasil. Em contrapartida, nesse mesmo período foi registrado crescimento de 8,6% nos vôos nacionais. Isso prova que as viagens nacionais não aumentaram da maneira esperada pelo setor, frente à constatação da queda bem mais acentuada dos vôos para o exterior, constata Querino.

No acumulado de janeiro a outubro deste ano, a demanda internacional caiu 11,6%, contra o crescimento de 11,8% da demanda de vôos nacionais, segundo o levantamento. Mas apesar desse crescimento, a ocupação das aeronaves não aumentou, afirma Querino.

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