Geral

A indústria brasileira na Alca

(*) Marcos Cintra
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A adesão do Brasil à Alca compreende uma série de argumentos contrários e favoráveis que precisam ser debatidos a fundo. Esta tarefa deve mobilizar o pensamento acadêmico, os empresários, os trabalhadores, o Congresso Nacional e o Executivo. Contudo, é razoável supor que a participação do país no bloco não irá levar a economia nacional ao desastre total, nem ao absoluto sucesso. Recentemente, a Fundação Getulio Vargas elaborou um estudo avaliando os impactos macroeconômicos da associação do Mercosul com a Alca e com a União Européia.

O trabalho mostrou que a associação do Mercosul com a União Européia elevaria o PIB brasileiro mais do que a associação do Mercosul com a Alca. Essa expansão se daria fundamentalmente, e isto é importante, pela maior especialização da economia nos setores primários. O trabalho mostra ainda que as exportações industriais cresceriam mais que as agrícolas no caso de adesão do Mercosul à Alca do que com a União Européia.

Resumidamente, o estudo mostra que a tese de perda de competitividade das exportações industriais brasileira numa adesão à Alca não se sustenta. Pelo contrário, essa competitividade aumentaria. Se elevaria mais do que na situação em que o Mercosul optasse por formar uma área de livre comércio com à União Européia. Muito se tem enfatizado que o setor produtivo brasileiro não teria condições de ser exposto de forma abrupta à concorrência externa. Porém, esse choque já ocorreu no início dos anos 90 e não provocou a desindustrialização do país. Ao contrário, a participação dos produtos básicos se reduziu, e a dos bens manufaturados e semi-manufaturados cresceu ao longo do processo de abertura.

Portanto, pode-se afirmar de modo seguro que a Alca não abalaria as estruturas econômicas brasileiras, pois não provocaria alterações substanciais em sua organização. Não há justificativas sólidas para as críticas que tentam demonstrar que as assimetrias competitivas entre as indústrias brasileira e norte-americana tenderiam a tornar o Brasil um mero exportador de commodities em detrimento de projetos de modernização industrial. É mais provável que a Alca aumente a participação do PIB industrial brasileiro. Em suma, a Alca será um importante fator de crescimento para a indústria nacional, sobretudo para os segmentos tradicionais. Setores como o têxtil, o calçadista, o de alimentos processados e a siderurgia devem expandir seus mercados com a integração do continente americano.

(*) Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, é doutor em Economia pela Universidade de Harvard - EUA - e professor-titular e vice-presidente da Fundação Getúlio Vargas. É deputado federal pelo PFL-SP.

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