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Termelétrica polui sim. E muito

(*) José Paulo Toffano
| Tempo de leitura: 3 min

Preocupados com a qualidade do ar que respiramos, ficamos em alerta com a possibilidade da instalação de uma usina termelétrica a 25 km de Bauru. Mais especificamente em Pederneiras. Agora os cabelos estão em pé, pois fala-se em instalar uma segunda a 45 km de Bauru. Mais especificamente em Bariri. Ao contrário do que se pensa, usina termelétrica polui sim. E muito. Tanto que necessita de um EIA/RIMA (Estudo de Impactos Ambientais/Relatório de Impacto no Meio ambiente) muito bem elaborado.

Aproveitando a crise de energia, o governo aprova projetos em caráter emergencial que, sem dúvida, irão agravar os problemas ambientais. Tanto o CONSEMA (Conselho Estadual do Meio Ambiente), que não passa de um cartório legitimador dos interesses do governo (usando as palavras de Carlos Bocuhy, membro do conselho), quanto nosso secretário estadual do meio-ambiente, Ricardo Trípoli, que vem recebendo moções de repúdio de ONGs e ambientalistas de todos os cantos do estado e país por sua postura ridícula em relação ao assunto, não passam o mínimo de confiança. O prefeito licenciado de Pederneiras, Rubens Cury (PSDB), rechaçou os manifestantes de Bauru que estiveram na audiência pública da Usina Termelétrica de Pederneiras em agosto deste ano dizendo que todas as manifestações contrárias vinham de pessoas que não eram de sua cidade, e sim da região. Esqueceu-se de que a empresa que lá pretende se instalar sequer vinha de nosso país. Acredita-se que os padrões internacionais de emissão de poluentes sejam respeitados. E se não forem? Quem vai fiscalizar ? Nossos órgãos são ágeis e independentes o suficiente ?

A futura termelétrica de Pederneiras deverá consumir mais de 2 milhões de metros cúbicos de gás por dia, gerando ozônio de baixa altitude como consequência da liberação de hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio, podendo causar desde problemas respiratórios até o fenômeno conhecido como chuva ácida. Lembremos que esta poluição vem se somar àquela gerada pela queima da cana, muito popular em nossa região. Enquanto todos alertam para os riscos de falta de água, vão construir duas usinas que deverão juntas consumir mais de 0,3% da vazão do Rio Tietê nos períodos de estiagem, devolvendo apenas 1/3 deste valor ao manancial, com temperatura 7 graus Celsius acima da do manancial. Não precisa ser perito para perceber que parte do ecossistema do rio será afetado.

Através da assinatura do protocolo de Kyoto (que só não foi ratificado justamente pelo país de origem dessas duas usinas) o mundo está se prontificando a diminuir a emissão de poluentes. Estamos batalhando impetuosamente para tapar algumas chaminés quando, de repente, vamos permitir que construam, bem na nossa barba, monstrinhos que desgastam dois dos nossos bens mais preciosos: água e ar.

Ninguém aqui está querendo jogar areia nos negócios de ninguém. Como cidadãos devemos chamar a população a discutir o que ela quer. Mas plenamente informada. Deve-se expor as vantagens e desvantagens de modo equilibrado, pois o poderio econômico desses conglomerados multinacionais minimizam os efeitos negativos, ressaltando apenas as vantagens da instalação, voltando a população contra os ambientalistas. Cabe também à imprensa e ao ministério público contribuir com a diminuição deste fosso de influência, tratando de igual maneira o material lançado pelas partes. Não quero ser cobaia no salvamento do sistema energético brasileiro e a constituição me dá o direito de lutar contra isso.

Lança-se novamente a pergunta: Por que nos limitamos a imitar os padrões internacionais ? Não seria a hora de inovar, investindo violentamente em formas de energia limpa ? É medíocre que este governo nos imponha esta única alternativa. Num país onde a incidência de sol é fabulosa e o nordeste comporta moinhos de vento capazes de sozinhos e em pleno funcionamento gerar 70 gigawatts, é muito comodismo do poder público limitar-se a importar tecnologia, e da sociedade em aceitar passivamente a imposição de que isto é viável e aquilo não.

Acorda Brasil ! Vamos ser mais originais.

(*) O autor, José Paulo Toffano, é presidente do Partido Verde, membro do Comdema, presidente da ONG EA-EI-AÔA e monitor de Educação Ambiental da Escola Internacional.

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