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Para alguns, cirurgia é a única solução

Redação
| Tempo de leitura: 7 min

Se o tratamento com o planejamento alimentar, incentivo à atividade física e uso de medicamentos não funcionar, deve-se pensar em cirurgia para diminuir o peso

As cirurgias para obesidade são indicadas para indivíduos com a chamada obesidade mórbida (com índice de massa corporal superior a 40 kg/m2) que apresentam grande risco de adoecer e morrer precocemente.

Além disso, a qualidade de vida destas pessoas é muito prejudicada. O obeso mórbido acaba desenvolvendo doenças como hipertensão, diabetes, câncer de mama, útero, intestino grosso, próstata e vesícula biliar, problemas ortopédicos, dermatológicos e ginecológicos. Em alguns casos, a mulher pode desenvolver infertilidade ou irregularidade menstrual. Já os homens podem apresentar a redução de testosterona, diminuição da libido e fertilidade reduzida.

Mesmo nos casos da obesidade grave com IMC menor que 40 kg/m2, os cuidados não devem diminuir. Se o tratamento com o planejamento alimentar, incentivo à atividade física e uso de medicamentos não funcionar, deve-se pensar em cirurgia para diminuir o peso.

Apesar de estarem sendo bastante divulgadas como sendo a solução definitiva para os problemas mais graves, é importante ter em mente que critérios devem ser considerados: tentativas prévias de emagrecimento com acompanhamento médico e/ou nutricional sem sucesso; ausência de outros problemas médicos que tornem a cirurgia de alto risco; compreensão e cooperação satisfatórias do paciente; ausência de dependência em relação a álcool e drogas; risco operatório favorável.

Espera-se que, ao longo de um ano, esta cirurgia atinja uma redução de 40% do peso inicial. A perda de peso adicional é conseguida quando há associação com reeducação alimentar e incremento de atividade física, como caminhadas, natação, hidroginástica etc.

Além da cirurgia de Capella (ou similar) pode-se colocar uma banda em volta do estômago (criando uma forma de ampulheta). A perda de peso com a banda é de aproximadamente 20% a 25%.

Um outro tipo de cirurgia é a do Balão Intragástrico, que consiste na colocação de um balão no estômago através de uma endoscopia. Após a introdução, o balão é preenchido com um soro fisiológico, ocupando um espaço no órgão e causando uma sensação de plenitude (estômago cheio). Ao soro fisiológico é adicionado azul de metileno, um corante cuja função é alertar caso haja rompimento. Neste tipo de cirurgia também é necessária uma equipe multidisciplinar para acompanhar o paciente. Neste caso, deve ser colocada em prática uma redução calórica na dieta e uma reeducação alimentar deverá ser implantada para que o balão mostre sua função.

O que vai determinar o tempo de permanência do balão depende da curva de emagrecimento. Trabalhos científicos têm comprovado uma boa perda de peso nos primeiros quatro meses.

O importante é saber que, independente do tipo de cirurgia adotado, é fundamental um trabalho de reeducação alimentar e incentivo à atividade física e que sejam consultados profissionais com comprovada experiência neste tipo de procedimento.

Nutrição

Após a cirurgia bariátrica, que tem como objetivo principal a melhora da qualidade de vida através da perda de peso, a nutrição tem um papel importante porque a quantidade e o tipo de alimentos a serem consumidos devem ser limitados.

O objetivo do acompanhamento nutricional é buscar o bem estar físico e emocional, através da seleção dos alimentos que contenham os nutrientes mais saudáveis e que estejam adequados às necessidades de cada indivíduo para que a rápida perda de peso não leve à desnutrição.

De maneira geral, a principal mudança na alimentação após a cirurgia é uma diminuição importante na quantidade de alimentos consumidos diariamente devido a redução do estômago. Porém, outros cuidados com a alimentação são fundamentais. Pode-se dividir o cuidado com a alimentação em cinco fases após a cirurgia:

1º fase fase da alimentação líquida: esta fase compreende as duas primeiras semanas após a cirurgia e caracteriza-se com uma fase de adaptação. A alimentação é líquida e constituída de pequenos volumes (em torno de 50 ml por refeição) e tem como principal objetivo o repouso gástrico, a adaptação aos pequenos volumes e a hidratação. Como conseqüência da alimentação líquida, a perda de peso é bastante grande nestas duas semanas, devendo-se introduzir o uso de complementos nutricionais específicos para evitar carências de vitaminas e de minerais. A orientação nutricional deverá ser iniciada pelo médico e nutricionista já no hospital, antes da alta hospitalar.

2º fase fase da evolução de consistência: de acordo com a tolerância e as necessidades individuais, a alimentação vai evoluindo de liíquida para pastosa com a introdução de preparações liqüidificadas, cremes e papinhas ralas. A evolução de cada paciente é variável de forma que a escolha de cada alimento deve ser acompanhada cuidadosamente para evitar desconforto digestivo como dor, náuseas e vômitos. Esta fase tem um tempo de duração diferente para cada indivíduo porém, em média, dura em torno de duas semanas.

3º fase fase da seleção qualitativa e mastigação exaustiva: passado o primeiro mês após a cirurgia, inicia-se uma fase onde a seleção dos alimentos é de fundamental importância pois, considerando que as quantidades ingeridas diariamente continuam muito pequenas, deve-se dar preferência aos alimentos mais nutritivos escolhendo fontes diárias de ferro, cálcio e vitaminas. O paciente deverá receber um treinamento para reconhecer quais são os alimentos mais ricos nestes nutrientes de forma a ficar mais independente para escolher as principais fontes de minerais e vitaminas encontradas nas suas refeições diárias. Como a alimentação passa a ser mais consistente deve-se mastigar exaustivamente. A duração desta fase também varia individualmente e dura em média um mês.

4º fase fase da otimização da dieta: nesta fase a alimentação vai evoluindo gradativamente para uma consistência cada vez mais próxima do ideal para uma nutrição satisfatória. Geralmente, esta fase ocorre a partir do terceiro mês após a cirurgia quando, quase todos os alimentos começam a ser introduzidos na alimentação diária. O cuidado com a escolha dos alimentos nutritivos deve continuar pois, as quantidades ingeridas diariamente continuam pequenas. Nesta fase o paciente pode ser capaz de selecionar os alimentos que lhe tragam mais conforto, satisfação e qualidade nutricional. Somente não são tolerados alimentos muito fibrosos e consistentes.

5º fase fase da adaptação final e independência alimentar: esta fase deve acompanhar o paciente a partir do quarto mês e, como nas fases anteriores, também evolui de acordo com as características individuais podendo iniciar-se um pouco antes ou um pouco depois do quarto mês. A partir desta fase, um acompanhamento periódico faz-se necessário somente para o acompanhamento da evolução de peso e levantamento de informações para identificar se existem carências nutricionais como, por exemplo, a anemia. O paciente já tem bastante segurança na escolha dos alimentos e está apto a compreender quais são os alimentos ricos em proteínas, glicídios e lipídios, cálcio, ferro, vitamina A, vitamina C, folatos além de outras propriedades nutricionais. Se o tratamento com o planejamento alimentar, incentivo à atividade física e uso de medicamentos não funcionar, deve-se pensar em cirurgia para diminuir o peso.

Consumo de líquidos

A rápida perda de peso leva a um aumento transitório dos níveis de ácido úrico na circulação. Quando a hidratação não é suficiente poderá haver formação de litíase renal (pedra nos rins). Por este motivo o consumo de líquidos deve ser monitorado para evitar que a urina fique muito concentrada. O consumo de líquidos deve ser constante, independente da sede.

Alimentos ricos em ferro

Dentre os alimentos mais fibrosos e de aceitação mais tardia está a carne vermelha. Enquanto ela não for introduzida na alimentação, o nutricionista deverá orientar o paciente sobre outras fontes de ferro presentes na alimentação.

O consumo de alimentos ricos em ferro deve ser constante, principalmente se não for possível consumir carne vermelha.

Açúcar

O consumo de alimentos açucarados deve ser evitado por dois motivos: primeiro porque o valor calórico é elevado e segundo, dependendo da técnica cirúrgica, poderá haver Síndrome de Dumping. Uma avaliação da tolerância ao açúcar poderá ser feita desde que acompanhada cuidadosamente pelo nutricionista. No caso da cirurgia de Capella pode levar a esta síndrome. Apesar de nem sempre ser assim, às vezes o consumo de uma bala pode desencadear o processo.

Ritmo de emagrecimento

A perda de peso é muito intensa, principalmente durante as duas primeiras semanas após a cirurgia. O ritmo acelerado de emagrecimento continua a ser observado até o terceiro mês e, a partir de então, passa a ser mais lento. Este é um processo natural de adaptação fisiológica que faz com que o organismo passe a gastar menos energia diariamente para evitar que a perda de peso rápida e permanente leve à desnutrição e aos conseqüentes riscos à saúde como a queda da resistência à infecções, desmineralização óssea, dentre outros.

A melhor forma de melhorar esse processo é a atividade física regular. O exercício faz com que o organismo gaste mais energia, o que ajuda a perder peso, além de trazer uma sensação de bem-estar e relaxamento. Entretanto, deve-se procurar orientação médica para a avaliação do momento adequado para iniciar o exercício e também para a escolha do melhor tipo de atividade a ser realizada.

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