Tribuna do Leitor

DEUS SALVE A AMÉRICA!

João Álvares
| Tempo de leitura: 3 min

O ano que se findou recentemente não poderá ser contabilizado como dos melhores, seja no âmbito doméstico como internacional: dia 11 de setembro de 2001, o mundo inteiro parou estarrecido, chocado, perplexo, perante a maior tragédia do século. Os Estados Unidos da América, a humanidade inteira sentiram-se vulneráveis, feridos e indefesos, mais do que nunca. Um clima de medo e insegurança geral varreu o orbe. Macabro e terrível aquele dia 11 de setembro, que não será esquecido jamais! Numa sociedade em que as notícias são transmitidas instantaneamente, pela televisão, pelo rádio, pela imprensa e por telefone, o impacto do atentado ao World Trace Center e seus desdobramentos no âmbito internacional multiplicaram-se pelas imagens universalmente difundidas e reiteradas pela TV, dia após dia. Na labiríntica arena da comunicação social, a má notícia é sempre a melhor notícia para o jornalista ávido de sensacionalismo e de noticiários fortes, retumbantes. O luto americano e a perversidade do terrorismo foram um prato cheio para a mídia mundial. Antes daquele fatídico 11 de setembro, os cidadãos informados já se haviam conscientizado da verdadeira natureza do nefasto neoliberalismo que é uma perversa fábrica de tragédias. Um golpe bem arquitetado, longamente planejado, o terrorismo desferiu um tiro certeiro, mortal, no coração do orgulho americano. As torres do World Trace Center, em Nova Yorque, e o Pentágono, em Washington, eram os grandes símbolos do poderio econômico e militar dos EUA. Dia 7 de outubro, 26 dias depois dos ataques terroristas que sofreram, os EUA e a Inglaterra lançaram sua resposta militar contra Osama Bin Laden, responsabilizado pelos atentados, e o regime do Taliban, que negou-se a entregar o milionário fugitivo saudita. Estamos convivendo desconfortavelmente num clima de terror, misturado com políticas antiterroristas. E uma interrogação se planta em nossos pesadelos: neste início do segundo ano do terceiro milênio, será que as potências capitalistas, o FMI, o Banco Mundial e o neoliberalismo onipresente terão a humildade, o bom senso e a lucidez suficientes para colher algumas lições deste mundo trágico que eles criaram? O lado terrorista é infame e também a paranóia do fanatismo religioso mesclado com ódios políticos é sempre um coquetel explosivo. O ódio perverso de Bin Laden pelos EUA, que chegou a agradecer a Deus o fato de a América estar tomada de pânico, faz dele um demente perigosíssimo, levando-o a afirmar jubilosamente: “Deus abençoou o grupo de vanguarda de muçulmanos, a linha de frente do Islã para destruir a América.” A paz é possível, mas ela exige um preço. Uma nova ordem mundial pode nascer, de forma equitativa e duradoura, se a luz do Evangelho brilhar nos horizontes, nos corações. Parafraseando o imortal poeta chileno Pablo Neruda, rezo no silêncio das minhas reflexões: “Senhor, ajuda-nos a cavar o poço onde a humanidade encontre aquelas águas redentoras que matam a sede porque jorram para a eternidade...” Ajuda-nos a estabelecer a paz, a integridade de um mundo exausto, partido, sofrido, esfacelado que perdeu o rumo e a sua identidade. Queremos cantar o salmo de libertação, um hino de amor, de justiça e de fraternidade sobre os escombros da guerra, da fome, da miséria, da destruição. Guia nossos passos, Senhor, ilumina nossos projetos, porque Tu és o Caminho, a Luz, a Vida, a Verdade!... (João Álvares - Reg. n.º 2069)

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