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A sociedade do conhecimento

(*) Arnaldo Jardim
| Tempo de leitura: 3 min

No meu tempo de estudante, o maior tesouro que um filho poderia herdar de seus pais era uma boa formação educacional, que certamente lhe abriria um enorme leque de oportunidades que o encaminharia para um provável futuro próspero. De lá para cá, pouco tempo se passou, mas as regras do jogo mudaram drasticamente, pois as oportunidades ficaram escassas e algumas ferramentas necessárias para o alcance do sucesso se tornaram inatingíveis para muitos.

Essencialmente, a ferramenta a que me refiro é a informação. Diversos estudiosos do mundo têm propagado que ela é a verdadeira moeda do saber, apesar de ser acessível apenas a uma pequena minoria de pessoas. O consultor e ex-presidente da Pulmann do Brasil, Max Gehringer, declara em interessante artigo publicado recentemente em uma edição especial da revista Exame que para um jovem aumentar as suas possibilidades de obtenção de sucesso na carreira profissional precisa aprender a manejar três ferramentas:

A construção de uma sólida rede de contatos, desde os primeiros anos escolares, que o ajudará a amparar a carreira incipiente. A constante busca por todos os tipos de informações (cotidianas, políticas, econômicas, culturais, esportivas etc), pois não há dúvida que, por exemplo, em uma entrevista de seleção de emprego, um jovem “recheado” de conteúdo aumentará suas chances em progressão geométrica em relação a um jovem “cru”. O consultor chega a citar um caso em que um estudante ganha o emprego, pois na noite anterior a sua entrevista, passou estudando todas as informações disponíveis na Internet sobre a empresa que iria trabalhar e suas concorrentes, dando um “baile” no entrevistador.

A capacidade de adaptar-se, prevendo e aceitando mudanças antes de terceiros. No entanto, não basta apenas pregarmos este ensinamentos e acharmos que os problemas dos jovens irão acabar. Sabemos que hoje um dos meios mais fáceis e rápidos de acessar a informação é a Internet e, infelizmente, ela ainda está fora do alcance da maioria da população mundial.

Um recente estudo realizado pela consultoria Internacional Data Corporation expõe que a Europa tem avançado neste aspecto. Ele mostra que dos 497,7 milhões de usuários de Internet do mundo 29,8% moram na Europa, enquanto 29,2% de cibernautas são norte-americanos. Enquanto isso, no Brasil, apenas cerca de 5% da população têm acesso à rede, sendo que 80% destes pertencem às classes ‘A’ e ‘B’, o que é grave se considerarmos a Internet como um veículo que se transformou numa fonte de pesquisas e informações. Além disso, o Governo Federal tem limitado o repasse dos recursos do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), que seriam destinados para aparelhar as escolas públicas com computadores, sob a alegação de manter o ajuste fiscal.

Esse descompasso tecnológico poderá no futuro nos trazer sérias seqüelas sociais, aprofundando ainda mais o já enorme fosso da desigualdade. Somos um país onde o jovem só não perde a perspectiva de crescimento e trabalho pois possui uma invejável disposição criativa que o impulsiona pela estrada das realizações, compensando algumas vezes as enormes adversidades. Imagine, portanto, o quanto esses jovens criativos poderão contribuir para o crescimento e desenvolvimento do País se conseguirmos minorar esses obstáculos e democratizar as oportunidades.

(*) O autor, Arnaldo Jardim, é deputado estadual, engenheiro civil, secretário da Habitação (1993), relator geral do Fórum SP Séc. XXI e Presidente Estadual do PPS. E-mail: arnaldojardim@uol.com.br

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