O atleta bauruense Renato Hiromi Gimenez Mizoguchi, que competiu nas Olimpíadas de Inverno de Salt Lake City, nos Estados Unidos, no mês passado, viveu uma das maiores emoções de sua vida ontem à tarde. Depois de 23 anos, ele reencontrou a mãe, Maria Solange Gimenez Bezerra, moradora do Núcleo Nova Bauru, que não via desde que seus pais se separaram, em 1979.
Mizoguchi chegou a Bauru ontem e passou a tarde em companhia da mãe e da irmã, Roberta Yukiko Gimenez Mizoguchi. Ele estava no Brasil desde quarta-feira, quando retornou dos Jogos Olímpicos e cumpria compromissos com patrocinadores em São Paulo, para onde retornou no começo da noite. “Agora a minha família está completa, como o meu pai queriaâ€, diz emocionado o atleta, se referindo ao pai, o fotógrafo Domingos Hiroshi Mizoguchi, que morreu há dois anos. “Agora vou poder treinar e me dedicar com mais calma. Era um sonho muito grande que eu tinha de encontrar minha mãeâ€, completa.
Com três anos, Mizoguchi, que mora no Japão desde 1994 e compete numa modalidade pouco conhecida dos brasileiros chamada luge (uma espécie de trenó que atinge até 140km por hora na descida em uma pista de gelo), foi morar com os avós e tios em Guainases (SP). Depois de optar pela carreira esportiva, ainda na adolescência, ele passou pelo atletismo e pelo in-line skate (patins com rodinhas em linha) até descobrir o luge, em 1999.
Durante todos esses anos o atleta se manteve longe da mãe por uma questão pessoal. “Era uma missão encontrá-la de novo, mas eu queria cumprir essa missão quando conseguisse fazer alguma coisa na vida. Ver minha mãe era uma coisa que eu tinha em mente desde criança, mas eu queria vencer na vida primeiroâ€, declara. Quando conseguiu a classificação para as Olimpíadas sentiu que o momento de voltar às origens havia chegado.
Para sua mãe, o distanciamento era motivo de dor. “Fiquei muito triste todo esse tempo. Agora o sofrimento acabou, graças a Deusâ€, diz.
Em busca da medalha
Mizoguchi acredita que o reencontro com a mãe e a irmã, com quem conviveu até os 11 anos, quando ela foi morar novamente com a mãe, vai marcar uma nova fase na sua vida e também na carreira esportiva. “Em um dia só não vamos conseguir recapitular tudo, mas agora a família está unida e vou poder ficar mais relaxadoâ€, afirma, explicando que estar calmo e concentrado é fundamental na modalidade.
A intenção do atleta agora é voltar para Nagano, no Japão, onde mora próximo ao centro de treinamento e evoluir no esporte. “Quero ir para à Itália nas próximas Olimpíadas e para a Alemanha treinar com os melhores do mundo. Já sou um esportista olímpico. De agora em diante quero uma medalhaâ€, declara.
Para chegar ao pódio nos Jogos de Inverno, Mizoguchi acredita que vai precisar de todo o apoio possível dentro do Brasil para que os atletas brasileiros da sua modalidade ganhem em tecnologia. “Competi num trenó de seis anos, enquanto os italianos têm um do ano. Precisamos buscar tecnologia porque ela é muito importante para se obter resultadosâ€, explica. “Se tiver tecnologia, com certeza vou conseguir essa medalhaâ€, garante.
Na edição de amanhã do Jornal da Cidade, o Caderno Ser traz uma entrevista exclusiva com Renato Mizoguchi feita durante os Jogos Olímpicos em Salt Lake City.