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A mulher muçulmana

(*) Kamila Toby
| Tempo de leitura: 4 min

Quando se apresenta a questão da mulher e o Islã, nos vem à mente a pergunta: por que, diariamente, é divulgada pelos meios de comunicação do Ocidente a situação da mulher muçulmana? De fato, essa questão converteu-se em um dos falsos mitos que mais prejudicam o Islã. O lugar comum consiste em divulgar a imagem da mulher muçulmana como um ser subordinado e ignorante, que só é apreciada por sua sensualidade física e por seu erotismo.

O estereótipo não é uma novidade de nossa época, não é novo. No século passado, virou moda o mito da odalisca, que foi uma criação do romantismo ocidental. Na atualidade, a odalisca foi substituída pelo mito da mulher velada. Uma mulher que é usada como uma arma contra os movimentos de igualdade e emancipação da mulher. Uma mulher para a qual só se concebe que realize tarefas domésticas. Tal concepção, como a irresistível publicidade exportada por Hollywood, é outro falso mito ocidental sobre a mulher muçulmana.

Na realidade, na tradição islâmica a esposa mais jovem do Profeta Maomé (PyB, Alcorão) foi educada desde os nove anos por ele e, quando morreu, Aixa era uma especialista em poesia, história, matemática e no Alcorão. O próprio Profeta aconselhou seus companheiros (Sahaba, Alcorão) a consultá-la para resolverem suas dúvidas e tomarem decisões. Quando ela suspeitou que o governante do momento havia tomado uma decisão injusta, não duvidou em pegar em armas contra ele.

Esta mulher, que foi a mulher modelada pelo Profeta, não é uma mulher definida por seus filhos ou por sua maternidade, tampouco por sua submissão sem vontade a um homem que a subordina à sua vida e aos seus projetos. Também não é a mulher dependente e medrosa que toma as decisões determinadas pelos homens de sua família ou pelo marido. Pelo contrário, a mulher muçulmana por excelência é independente e educada, dispõe de seu próprio negócio e de seu critério político próprio. É uma mulher que não duvida em se manifestar e defender suas próprias opiniões diante de todos. Esse é o modelo islâmico de mulher. Esse é o modelo de mulher instituído pelo nosso Profeta (PyB, Alcorão).

Outro falso mito para o Ocidente consiste em considerar a mutilação genital feminina como um costume próprio da cultura islâmica. Nada mais falso. O Islã proíbe a mutilação corporal, inclusive a tatuagem é considerada incorreta na tradição ortodoxa islâmica. A ablação do clitóris e dos lábios vaginais das mulheres é uma prática aberrante da antiga tradição africana, contra a qual luta o Islã, bem como todos os países civilizados. Infelizmente, a ignorância que o Ocidente tem do Islã faz com que, em geral, não se distinga entre os costumes de um determinado povo, como o árabe, o persa ou o africano, e as disposições do Islã.

Os mitos ocidentais sobre a mulher muçulmana nos levam a perguntar qual função o Alcorão outorga à mulher no sistema social islâmico? Pois bem, o Alcorão outorga à mulher no sistema social a função própria do sujeito individual de direitos, tanto em relação ao seu corpo quanto em relação à sua consciência. Por isso, o capítulo quarto (Surat) do Alcorão, intitulado Na-Nisa, que significa “As Mulheres” como gênero, integra todo um sistema legal e social para as mulheres em todos seus estados.

O Islã fará evoluir o status social da mulher com a introdução de novos parâmetros fundamentais. Primeiro o direito fundamental à liberdade de suas uniões sexuais, e segundo, o direito fundamental à liberdade e à independência econômica. Estes dois fatores dinâmicos de mudança revolucionaram a situação histórica da mulher muçulmana. Apesar desta realidade, alguns sábios muçulmanos tradicionais (ulemás), ao considerarem a posição da mulher com relação ao seu marido, exigem, segundo sua interpretação misógena do Alcorão, a obediência e a subordinação dela.

Diante destas afirmações nos surge a seguinte pergunta: Pode-se considerar estabelecida no Alcorão uma situação de inferioridade da mulher? Nossa pesquisa sobre essa questão nos revela que o Alcorão, e as tradições que recolhem o que o Profeta Maomé (PyB) fez ou disse durante a revelação do Alcorão (Sunnah), proclamam em várias ocasiões a igualdade de direitos no Islã sem distinção de sexo, raça nem religião.

(*) A autora, Kamila Toby, coordenadora do III Congresso Internacional da Mulher Muçulmana

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