O Auxílio-Gás, programa do Ministério de Minas e Energia que pretende ajudar 4,8 milhões de famílias carentes na compra do gás de cozinha, já pode ser retirado desde o dia 22 de fevereiro, através do cartão magnético do Bolsa-Escola. O saque dos R$ 15,00 aos quais as famílias carentes têm direito a cada dois meses poderá ser feito nos caixas eletrônicos da Caixa Econômica Federal (CEF).
Segundo a assessoria de imprensa da CEF, as famílias que têm seus filhos cadastrados no Bolsa-Escola não precisam fazer nenhum tipo de cadastramento para receber o Auxílio-Gás. O direito ao benefício seria parte de um “cadastro único†do Governo Federal, que deverá vigorar em breve incorporando outros programas de auxílio, como o Bolsa-Alimentação.
Para as famílias com renda per capita (por pessoa) abaixo de R$ 90,00 - uma das exigências para se cadastrar no programa - mas que não são contempladas pelo Bolsa-Escola, a CEF informa que elas devem procurar as prefeituras municipais, para que sejam incluídas no cadastro único e, em breve, possam receber o Auxílio Gás. Ainda não há informações, no entanto, sobre o cadastro único em Bauru.
A meta de abrangência do Bolsa-Escola e, em conseqüência, do Auxílio-Gás em Bauru é de 2.984 famílias, num limite máximo de 5.455 crianças. Esse teto é necessário porque cada família pode inscrever até três crianças no benefício.
Ajuda extra
O preço médio do botijão de gás de cozinha em Bauru é de R$ 25,00. Contando apenas com o Auxílio-Gás, que é de R$ 15,00 a cada dois meses, uma família só conseguiria comprar um botijão depois de quatro meses.
De acordo com Michele Vianna, assistente social do Núcleo de Apoio Sócio-Familiar (NAF) do Parque Jaraguá, órgão ligado à Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), muitas famílias contempladas com o Auxílio-Gás não sabiam que receberiam o dinheiro extra no mês de fevereiro. “Ainda não chegou nada oficial (sobre o auxílio) para a gente, mas muitas pessoas nem perceberam que tinha dinheiro a mais na contaâ€, relata.
Para Michele, os R$ 15,00 adicionais provavelmente não serão utilizados para comprar gás, pois, além do dinheiro ser insuficiente, muitas famílias da região do Parque Jaraguá ainda fazem comida no fogão a lenha.
A dona de casa Ilda Alves Teodoro, 30 anos, tem três filhos cadastrados no Bolsa-Escola. No saque de fevereiro, ela teve uma surpresa ao perceber que havia recebido dinheiro a mais, destinado à compra de gás de cozinha.
Ilda diz que um botijão de gás em sua casa dura pouco mais de um mês, e como a quantia veio junto com o Bolsa-Escola, ela resolveu investir o dinheiro na educação dos filhos. “Não deu para comprar gás, mas deu para comprar roupas, sapatos e material escolar, as coisas que as crianças usam na escolaâ€, conta.
Apesar do Auxílio-Gás não ser suficiente para comprar gás, a dona de casa Cleuza Maria Neri, 30 anos, comemora a ajuda extra. “Gás mesmo não dá para comprar, mas se não fosse o dinheiro, não dava para comprar os cadernos e o uniforme das criançasâ€, afirma. Cleuza tem cinco filhos, quatro deles na escola. Segundo as exigências do programa, ela pode receber apenas R$ 45,00, referentes a três crianças.