Mulher

Vaidosa: Conquista do corpo perfeito pede equilíbrio

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 5 min

Preocupadas com um corpo em forma, as mulheres estão cada dia mais ávidas por emagrecer. Uma pesquisa realizada com 33 mil mulheres em 30 países por uma revista inglesa revelou que estar acima do peso e ter câncer são as principais preocupações das mulheres. Depois, na seqüência de importância, vem a aids, o infarto e a depressão. Mais da metade das entrevistadas disseram que gostariam mas que não têm tempo para fazer ginástica – 28% admitiram que não fazem nenhum tipo de exercício físico.

Depois do personal trainner, elas já buscam o personal diet, geralmente uma nutricionista que elabora cardápios personalizados, que prioriza necessidades casadas com gostos pessoais e faz entrega das refeições na medida certa para que a paciente cumpra a dieta com prazer e não se desestimule ao primeiro prato de salada que tenha que preparar com no mínimo cinco vegetais.

As academias de ginástica também passaram a ter profissionais de nutrição de plantão para acompanhar seus clientes na busca pela boa forma.

A nutricionista Sheiza Bianchi Souza já viveu ao mesmo tempo a experiência de preparar e levar dietas em domicílio e de cuidar da turma da academia, inclusive de atletas profissionais. Ela ressalta que dentro da academia, os homens são muito mais cuidadosos com a saúde e seguem à risca suas recomendações, mas de um modo geral a grande maioria de seus pacientes são mulheres que querem emagrecer “da noite para o dia”.

Ela conta que muitas já se conscientizaram que o emagrecimento é um processo gradativo e na maioria das vezes demorado. â€œÉ preciso detectar problemas e reverter o metabolismo para saná-los, senão a dieta não adianta. Você sofre três meses, passa fome e emagrece, mas quando para de fazer dieta, engorda o dobro”, argumenta, explicando que o metabolismo basal precisa de tempo e equilíbrio para administrar quantas calorias precisa para manter o corpo ativo, com ou sem atividade física. É ele quem vai determinar o estado de “engorda” ou emagrecimento de uma pessoa, pois é ele o responsável pelo gasto ou acúmulo de energia no organismo.

Sheiza orienta que a determinação e o controle são os pratos principais de qualquer dieta e é possível se comer de tudo seguindo a regra da pouca quantidade.

Ela aconselha a quem luta contra a balança que tente evitar o contato visual com comida e que ao ser cobrada pela família ou amigos sobre seu peso, que os convença a entrar junto na dieta ou que não criem situações que coloquem a pessoa obesa em cheque. “Isso só atrapalha, quem quer ajudar, tem que colaborar mesmo.”

Sobre medidas exatas e padrões perfeitos, tabelas que confrontam peso e altura, a nutricionista ressalva que cada caso precisa de atenção especial. Cada corpo tem uma estrutura a ser respeitada e que os tempos modernos, apesar do culto à beleza e magreza, não podem determinar que todas as pessoas tenham as mesmas medidas. Afinal, existem formas de corpos e não fôrmas para os mesmos.

“O peso ideal é aquele em que a pessoa se sente bem. Mas este bem-estar deve ser isento de qualquer doença. Uma taxa fora do normal, seja a pessoa magra ou gorda, já faz com que o peso precise ser colocado na balança. Nada em excesso é bom.”

Adeptas de plásticas querem mudanças rápidas e radicais

Objetos de desejo e de controvérsia, as cirurgias plásticas que modificam as formas em questão de horas, continuam povoando o imaginário e os consultórios de cirurgia estética. “O espelho é o maior amigo da mulher, mas pode ser seu pior inimigo, se ela não se sentir bem”, diz o cirurgião plástico Antonio Guedes de Assunção.

Depois, segundo ele vem a opinião do marido, mas basta a mulher sentir-se incomodada para buscar um retoque ou uma mudança radical. “Muitas vezes, elas trazem a revista com o modelo de beleza que julgam ideal. Mas aí entra o trabalho do profissional que deve orientá-la sobre a escolha.”

O médico conta que nem sempre é possível atender aos pedidos e nem sempre o resultado, por mais perfeito que esteja, clinicamente falando, agrada a paciente. O cirurgião pode ser também considerado um artista plástico da pele. “Só que uma obra de arte ou um estilo pode agradar a uns e a outros não.”

Por isso, ele ressalta que a confiança entre ambos e o conhecimento do trabalho do profissional é fundamental. “A gente não tem o direito de errar e é difícil uma paciente entender que não existe cirurgia plástica sem cicatriz.” Ele explica que podem existir melhores processos de cicatrização, mas tudo isso deve ser apontado antes através de histórico e testes do paciente.

Assunção aponta que quando jovens as mulheres, maioria nos índices de plásticas, buscam alterações no corpo, já a partir dos 40 querem mexer no rosto, pois a velhice quando aceita tem muita resistência.

Ele comenta sem piedade que em alguns casos as cirurgias são desaconse-lháveis e muitas pacientes buscam outros profissionais até que um faça a operação. “Envelhecer é uma dádiva, melhor que morrer”, aponta ele, ressaltando que a plástica pode amenizar efeitos do tempo, mas não retira os anos.

Muitas vezes, ele chega a recomendar uma dieta ou um tratamento alternativo para a paciente, que precisa fazer isso antes de operar ou pode se livrar do bisturi com o tratamento indicado. “Mas como são imediatistas, geralmente elas não voltam. Mas sou médico e preciso pesar em primeiro lugar a saúde, depois o resultado, intimamente ligação à satisfação do profissional e do paciente.”

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