O Teatro Municipal recebe hoje e amanhã, às 21 horas, o espetáculo “Auto da Barca do Infernoâ€, adaptado do clássico de Gil Vicente pelo grupo Dragão 7, da Cooperativa Paulista de Teatro. Marcada como uma das primeiras peças teatrais da língua portuguesa, o clássico leva ao palco personagens ainda muito atuais, mesmo criados há quase 500 anos.
Em sua proposta de encenação, o grupo Dragão 7 utiliza um texto fiel ao original com inserções de temas atuais. Desta forma, o “Auto da Barca do Inferno†fica situado em qualquer espaço ou tempo que a imaginação do público conduzir.
Com um clima carnavalesco muito peculiar, transforma o teatro em folia. A trilha sonora é eclética. Sai do rock dos Rolling Stones e Led Zeppelin, passa pela música erudita e conclui com um samba-enredo composto especialmente para o espetáculo.
Enredo
Localizado em um lugar além da morte, existe um cais onde duas barcas se encontram ancoradas e aguardam os que deixam esta vida. Uma tem como destino, através das esferas celestiais. A outra vai para o inferno. Por este cais, desfilam personagens que procuram pela barca que julgam merecer por direito - é óbvio, a do Paraíso.
Uma a uma, figuras imponentes - como o famoso fidalgo Dom Anrique (vivido pelo ator bauruense Emerson Caperbat), o juiz, o procurador de impolutos decoros e condutas e até o bem conhecido sapateiro, fervoroso devoto de Deus - surgem naquele profundo braço do mar de onde as almas só saem para tomar uma das duas naus.
E não havendo quem deixe de desejar seguir pela barca da glória, todos declamam suas virtudes ao anjo. Mas aos olhos dos anjos e dos diabos - que guardam os caminhos - revelam-se os pecados dos suplicantes.
Nesse cais, ninguém escapa do julgamento final: grandes ou pequenos, os pecados, as bravuras, as heresias, as inocências, as corrupções e as hipocrisias. Tudo é revelado no tribunal no qual o diabo é o promotor da humanidade.
Quase todos são condenados. As exceções são o Parvo que, morrendo criança, não se corrompeu por caminhos errados, e os cavaleiros cruzados, que morreram em nome de Cristo, redimindo os pecados. Uma verdadeira crítica à hipocrisia social.
O texto é leitura obrigatória para os estudantes do ensino médio e das listas de vestibular. Os figurinos e os adereços são assinados por Tito Arante e a trilha sonora por Aline Méier. A direção fica a cargo de Creusa Borges, que também atua no espetáculo ao lado de Mafa Nogueira, Caio Polesi, Romana Flora, Eduardo Chagas e Alda Machado, além de Emerson Caperbat.
O Autor
Considerado o pai do teatro português, de Gil Vicente, que viveu na Idade Média, pouco se sabe em concreto. Desconhece-se o local e a data exata do nascimento e morte. Alguns documentos situam-no como, além de dramaturgo, ouvires. No entanto, sabe-se que no dia 8 de junho de 1502, representou um monólogo à rainha Maria. É provável que tenha nascido na província de Guimarães, mas logo se fixado em Lisboa. Sua principal ocupação na capital parece ter sido a de escrever e representar autos nas cortes dos reis Manuel e João III.
Serviço
“Auto da Barca do Infernoâ€, com o Grupo Dragão 7, hoje e amanhã, 21 horas, no Teatro Municipal. Recomendação: 10 anos. Ingressos: R$ 20, R$ 12 (antecipados), R$ 10 (estudantes) e desconto apresentando bônus JC. Avenida Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 235-1072. Realização: Secretaria Municipal de Cultura e Abapuru Produção Cultural. Patrocínio: Saint Paul Residence. Co–Patrocínio: Café 21 Center, Colcci e Real Time. Apoio: Padaria Copacabana, Restaurante Lalai, Rádio Unesp, Torteria Doceana, Churrascaria Baby Búfalo, Flag-Petróleo, Alice Estofados Restaurante Gustare, Villa Madalena, Mauro Quintanilha Cabelo e Maquiagem e Keune Cosméticos e Jornal da Cidade.
Saiba mais sobre o Dragão 7
Integrante do núcleo da Cooperativa Paulista de Teatro, o Grupo Dragão 7 apresenta como objetivo a criação de uma linguagem popular direta com a platéia. O histórico do grupo tem início em 1988 com o espetáculo “As Desgraças de uma Criançaâ€, de Martins Pena. A montagem retratava um Brasil ainda criança e abandonado.
Em 1989, trabalham com o espetáculo “O Noviçoâ€, também de Martins Pena. A partir daí, o grupo passa a se aprofundar na linguagem adolescente, com espetáculos específicos para tal público. Em 1991, estréiam o espetáculo “Mais Quero Asno que Me Carregue, que Cavalo que Me Derrubeâ€, de Carlos Soffredini, adaptada da “Farsa de Inês Pereiraâ€, de Gil Vicente. Durante toda a vivência, o grupo percebe a necessidade de pesquisar, informar e formar um público para o teatro.
Um ano mais tarde, o Dragão 7 opta mais uma vez por um texto de Gil Vicente. Os atores mergulham na linguagem original e se especializam com a peça “Auto da Barca do Infernoâ€. São aproximados 10 anos de viagens com a barca e mais de 500 apresentações, incluindo Espanha e Portugal.
Em 1999, estréia o espetáculo “Brasil, Outros 500â€, que veio coroar a maturidade artística do grupo e comemorar os 11 anos de existência. Com um belo espetáculo, o grupo faz um passeio pelos 500 anos do descobrimento do Brasil, a diversidade de seu povo, culturas, tristezas e alegrias. A peça teve boa aceitação no Brasil e exterior.