Diferentemente do observável em letras de melodias sertanejas, por onde se dobram e redobram de amores a alguém (sendo que por apenas isso a porta do Céu não se fecha), o genial Charles Chaplin, sem choros, conseguiu, em matéria de música romântica, a mundialmente rainha das canções Luzes da Ribalta, colocando-a no mesmo nível a que ele próprio chegou. Não sei se por querer ou não, fê-la representante da filosofia da reencarnação, com a qual a maciça maioria da humanidade se esbarra, enquanto tateante nas trevas que lhe são impostas, que se tornam irrelevantes no mundo atual, a ponto de ser entendido que reencarnação subentende voltar-se com a mesma fisionomia e mesmos pensamentos, esquecendo-se que novos tempos e novos ambientes não permitem que se volte para trás e que a tendência é o caminhar sempre para a frente, sem que um saudosismo doentio sirva de obstáculo. E não é isso o que está acontecendo, colhendo-se do semeado!...
Quando o cardeal Ângelo Roncalli se tornou papa em 1958 adotou para si o mesmo título que foi adotado pelo dom João XXIII que pontificou de 1410 a 1415, conforme reza o catálogo da Cúria Romana. Fê-lo esperançoso, como era de se prever, que esses 543 anos (nesse recuo) servissem não só para se evitar o fim do mundo por volta que seria mais ou menos no fim do milênio passado, mas também para ajustamento e acerto entre nações e povos, mediante o que se veio constituindo um desarmamento espiritual dos povos em geral, graças ao poder adquirido por Roma nestes quase 20 séculos de existência, digo da Igreja Católica Apostólica Romana. A propósito, a partir do término da 2.ª Guerra Mundial, Pio XII já vinha deixando para o seu futuro sucessor o assentamento das bases necessárias e pendentes da parte da Igreja. Quanto ao quinhão que cabia ao Estado, paralelamente, através dos chefes dos poderes executivos dos países, melhor podem os povos respectivos fazerem uma idéia a respeito do que foi feito. Agora é aquele corre-corre... para transferências de culpas por erros e absurdos cometidos; os algozes autores os descarregam nos mesmos “cobaias†usados antes para as suas aventuras, para os seus golpes.
Quanto à Igreja, que não sou seu representante ou defensor, dom João Paulo II atravessa a fronteira da boa vontade com seu pedido de perdão! Já nos idos de 46 para 47, Pio XII cedia suas bênçãos para arcebispo libanês de Baalbek portá-las em suas visitas aos USA, Canadá, Brasil e Argentina. E em S. Paulo marca sua passagem em missa que celebra no dia da eleição de 18/1/1947 para altas autoridades civis, militares e eclesiásticas na Basílica de S. Bento. (Abdnor Maluf)