A busca por abrigo e alimentos é fundamental à sobrevivência de qualquer ser vivo. Por isso, o descuido do ser humano com a higiene pessoal, a limpeza da casa e a destinação das sobras domésticas funciona como fator de atração aos insetos. Expulsos de seu habitat, as pragas saem à procura de um novo lar e acabam encontrando condições adequadas de perpetuação da espécie nos resíduos materiais e orgânicos produzidos pelo homem, ou seja, no lixo.
Baratas, moscas, formigas e ratos são os principais exemplos disso. Eles se alojam nos locais onde há restos orgânicos em decomposição. Fazem seus ninhos e se reproduzem volumosamente. Depois, invadem residências atraídos pelo cheiro da comida.
“E isso acontece até em casas muito limpas. Mas o morador tem, por exemplo, o hábito de comer no quarto. Cai um farelo no chão ou ele deixa o pratinho com a sobra sobre o criado-mudo para retirar no dia seguinte. Isso é o suficiente para chamar insetosâ€, observa o encarregado de turmas do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Antonio dos Santos Júnior.
Outro erro, neste sentido, é guardar alimentos em embalagens semi-abertas, deixar a louça suja na pia para lavar mais tarde ou manter lixeiras abertas. Algumas vezes, os restos de comida ficam expostos uma noite inteira ou mais. “Ou mesmo uma fruta madura sobre a mesa. Se o alimento é farto, estas pragas vão se alojar dentro de casa, procriando até na gaveta dos panos de cozinhaâ€, comenta.
Júnior salienta que o grande problema destes bichos para o ser humano está no risco de contaminação. “Porque eles passam na sujeira, no lixo, em fezes contaminadas e depois passam pelo alimento que você vai comer carregando resíduos de doença nas patas e na línguaâ€, ressalta.
O acúmulo de papéis, livros, jornais, revistas, caixas e poeira também atrai insetos. Além de servir como ninho para os bichos já citados, o material inservível é ambiente ideal para as traças. Elas não representam riscos à saúde humana, mas comem roupas e papel em silêncio e podem causar importantes prejuízos ao patrimônio.
Animais domésticos
A criação de cães, gatos, cavalos e porcos também pode representar problemas se não houver um cuidado minucioso com a limpeza local. Animais domésticos são hospedeiros de outros insetos, como o carrapato, a pulga e o bicho-de-pé. Só um controle regular sobre animais e ambiente pode evitar uma infestação destas pragas.
O veterinário Paulo Zanardi explica que a reprodução dos parasitas é muito rápida. Uma única pulga fêmea, por exemplo, chega a pôr 28 ovos por dia. Além do incômodo, alguns destes bichos causam doenças nos animais. Se não forem tratadas a tempo, podem matar. Por isso, o combate deve ser iniciado ao primeiro sinal de infestação.
“Cerca de 70% destes parasitas não ficam no animal, mas no ambiente. Por isso, não adianta dar banho e fazer a catança, se não houver uma boa higienização da residência e do quintal. Havendo infestação, é preciso usar produtos adequados em aplicações no animal e no ambiente durante vários meses para cortar o cicloâ€, explica.
No caso da limpeza residencial, deve-se retirar tapetes, almofadas, cobertores e cortinas. O ideal é desfazer-se deles ou aplicar algum tipo de veneno, pois a lavagem não resolve. Sofás, casinhas ou “cama†do animal também precisam ser bem limpos, como todos os cômodos da casa por onde ele passa.
Vale ressaltar que, se for confirmado o descuido do dono, o Centro de Controle de Zoonoses pode apreender o animal e autuar o proprietário por maus tratos, mesmo que o parasita não tenha atingido o ser humano. A notificação pode vir acompanhada de uma multa, cujo valor inicial é de R$ 491,85, podendo aumentar em caso de desobediência ou reincidência.
Quando o problema é a proximidade
Em alguns casos, o controle de higiene não é suficiente para afastar o bichos, pois a residência fica próxima a locais que facilitam a proliferação destas espécies. É o que acontece com a secretária Edna Soares Barbosa, 30 anos, que mora nos fundos de um cemitério. Ela conta que não vence aplicar veneno contra as baratas.
“Não adianta matar aqui dentro, se do outro lado da rua está cheio. À noite, este muro fica coberto delas e quando está calor, a situação fica insuportável. Não dá nem para passar pela calçadaâ€, conta.
A vizinha, Terezinha Lopes Timóteo, 59 anos, confirma o problema e diz que chega a tirar cerca de seis baratas mortas por dia de sua casa. “Eu tenho veneno espalhado por todos os cômodos, escondido nos cantos por causa da cachorrinha. De manhã, quando vou varrer, elas aparecem mortas. São tantas que, todos os dias, quando acordo, fervo água e passo em todas as vasilhas da cozinha antes de fazer o café e mantenho todos os alimentos muito bem fechados em sacos plásticos para protegerâ€, reclama.
De acordo com as moradoras, a Prefeitura Municipal de Bauru promoveu uma dedetização dos bueiros nas imediações há cerca de dois anos e nunca repetiu a aplicação, alegando falta de dinheiro.
O encarregado de turmas do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Antonio dos Santos Júnior, confirma a informação e diz que a Secretaria Municipal de Saúde não tem programas voltados à aplicação de venenos, exceto em situações de emergência.
Já no Núcleo Mary Dota e bairros próximos, a infestação de moscas e baratas é uma reclamação antiga entre os moradores. “Por causa do frigorífico. O cheiro é muito forte e atrai, por mais que a gente mantenha a casa limpaâ€, destaca a doméstica Vanilde de Sousa, 43 anos.
A dona de casa Patrícia Mondenesi concorda e diz que é preciso manter ralos tampados e janelas fechadas para evitar a invasão.
De acordo com Júnior, os resíduos do frigorífico atraem os insetos. “Como a empresa toma todas as ações de combate e extermínio de moscas lá dentro - o que é regularmente fiscalizado pela Vigilância Sanitária municipal e estadual - as moscas acabam migrando para a vizinhança em busca de alimento. Se o morador não tem os devidos cuidados de limpeza, elas se instalam mesmoâ€, explica.
Na opinião dele, não existe uma solução definitiva para estes casos, pois tanto o cemitério como o abate de animais sempre vão atrair insetos, por mais que se lute para combatê-los. “E se houver um ambiente favorável para a proliferação deles na vizinhança, eles vão se instalar aliâ€, completa.