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Novos velhos garanhões

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

“O Viagra e o Uprima devolveram ao homem a confiabilidade que ele havia perdido”, afirma a psicóloga, sexóloga e terapeuta de casais Dalva Taborianski. Além dos medicamentos, “a vida sexual do homem se prolongou por mais tempo porque hoje em dia existe uma preocupação maior em fazer ginástica, cuidar do corpo, ter hobbies”, completa. Todos esses fatores incentivam a vaidade pessoal masculina, fazendo com que os homens se sintam merecedores de uma rotina sexual com mais qualidade.

O resultado são senhores que já passaram dos 50, 60, 70 anos que ainda se interessam e procuram satisfazer seus desejos sexuais, muitas vezes com mulheres mais novas.

A largada para essa corrida contra o fantasma da impotência e da falta de desejo foi dada (no Brasil) em 1998, quando a Pfizer colocou no mercado o Viagra, chamada na época de “pílula do prazer”, o medicamento atua perifericamente, fazendo uma vasodilatação e aumentando o fluxo de sangue para o pênis, garantindo a ereção em cerca de 60% a 70% dos casos.

No ano passado, o Uprima, fabricado pelo laboratório Abbott, que atua no sistema nervoso central, favorecendo os mecanismos fisiológicos da ereção com as mesmas chances de sucesso do Viagra veio reforçar a munição masculina.

Resolvida a questão básica da impotência masculina, o foco de atuação dos cientistas se voltou para os fatores que, de maneira indireta, influenciam o desempenho sexual dos homens. A área hormonal foi a que mais se desenvolveu. Os hormônios são substâncias reguladoras de quase todas as funções do corpo humano e são produzidos em menor quantidade com o passar dos anos. A data inicial desse processo decrescente e aos 35 anos, quando os homens começam a perder a testosterona.

O resultado foi a reposição hormonal que, desde a última década, se tornou comum para as mulheres que entram na menopausa. Hoje, esse tipo de tratamento também tem se popularizado entre os homens e mostrado sua eficácia, o que é positivo na opinião de Taborianski. “Sou a favor da reposição para os homens se eles estiverem com baixos níveis de testosterona”, diz a sexóloga.

Embora existam pesquisas para a produção de uma pílula do prazer feminina, para as mulheres na casa dos 50 anos, a reposição hormonal já tem resolvido bem o problema da falta de desejo sexual, reequilibrando a libido através de doses de progesterona e estrogênio.

Junto com uma maior preocupação com o visual e a saúde, o que inclui uma certa dose de vaidade, hoje assumida por uma boa parte dos homens que freqüentam academias e fazem plásticas, surgiu uma nova criatura: o homem de meia idade “na ativa”. O estereótipo já existia, mas na prática nem sempre se confirmava. “Hoje há uma espécie de termo de garantia proporcionado pela ciência”, diz o professor Maurício *, de 58 anos, que usa o Viagra.

Fuga do divã

Na opinião de Taborianski, o fato do homem poder contar com os recursos da medicina não faz com que ele possa deixar de lado os aspectos psicológicos que envolvem sua vida sexual após os 40. Para a sexóloga, o homem, dos 45 para cima, começa a ter “grilos” com as suas fantasias e desejos sexuais. Muitos têm problemas até por uma questão de cultura ou crença religiosa, que o uso de alguma pílula não resolve. “Acho que o homem que passa por esse tipo de problema deveria trabalhar melhor o seu aspecto psicológico, suas angústias, seus medos, para poder readiquir a segurança que os medicamentos só dão momentaneamente”, explica.

“O que eu percebo é que os homens pulam essa parte. Eles até vêm para a terapia, mas fazem uso do Viagra também, que nesse aspecto, é o pulo do gato”, avalia a sexóloga. O processo do resgate da auto-confiança masculina, segundo Taborianski, é muito prolongado e requer a ajuda de uma parceira compreensiva, bem-informada ao lado do homem.

Confiando na “azulzinha”

“Minha vida mudou completamente após o Viagra”, revela o professor Maurício *, que usa o medicamento desde que foi lançado. Divorciado, ele namora uma mulher 26 anos mais nova e garante que ela nunca reclamou do seu desempenho. “Depois que fiz 50 anos comecei a ficar com medo de falhar”, admite, fazendo a ressalva de que sabe que a “falha” envolve mais a questão psicológica do que física. “Depois que comecei a usar a ‘azulzinha’ perdi o medo”, confessa se referindo à pílula. Assim como o professor, o autônomo José Carlos *, garante que o sexo deixou de ser um “fantasma” na sua vida depois do Viagra. Aos 65 anos, ele admite que já havia falhado algumas vezes com a esposa o que nunca mais aconteceu depois de adotar o remédio. “Acho que foi uma das maiores invenções dos últimos tempos”, arrisca.

Para o microempresário Luis Antônio *, de 45 anos, pílulas como o Viagra e o Uprima podem não ser a solução para todos os problemas sexuais do homem mas “seguram bem a situação” pelo momento. Considerando-se novo demais para usar os remédios regularmente (ele já experimentou os dois para testar e gostou), o microempresário acredita que apenas a existência das pílulas é suficiente para o homem não ter tanto medo de envelhecer. “O sexo é uma ‘coisa’ que pesa muito quando a gente fica mais velho, os remédios dão uma garantia que ele pode existir com qualidade por mais tempo, assim é mais fácil pensar que o resto vai ser melhor também”, explica.

* O nome dos entrevistados foi omitido para preservar suas identidades

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