Quando o alimento, mesmo aquele com boa aparência, contém micróbios, diz-se que ele está contaminado. Os micróbios são seres vivos tão pequenos que ficam invisíveis a olho nu e só com o uso de microscópio é que é possível vê-los. Estão em todos os lugares como o ar, o solo, água, os utensílios, os equipamentos, os animais, as roupas, as pessoas (boca, mão, pele, garganta, nariz, cabelo, etc).
Eles podem causar nas pessoas, doenças como tuberculose, infecções de garganta, toxinfeções alimentares com sintomas de enjôo, vômito, gases, diarréia, tontura, febre, etc.
Entre os micróbios, são conhecidas as bactérias que para viverem precisam de nutrientes, água e uma temperatura favorável que varia de 4.ºC a 60.ºC (algumas podem se reproduzir em alimentos congelados).
De acordo com a nutricionista Ângela de Castro Arruda, os alimentos são importantes meios de transmissão de micróbios. “Isso ocorre porque, além de serem muito perecíveis, geralmente não são acondicionados como deveriamâ€, explicou.
Ela contou que muitas doenças intestinais e intoxicações ocorrem com a proliferação de bactérias em alimentos. “Nunca devemos consumir alimentos com data vencida. As pessoas também têm o costume de tirar a parte embolorada dos alimentos e consumir o restante. Isso está errado. Se há um mínimo pedaço do alimento embolorado, todo o restante também está comprometido, então o ideal é se desfazer de todo o alimentoâ€, afirmou.
Temperatura adequada
Às vezes, os alimentos parecem bem, cheiram bem, mas estão estragados. O JC Saúde vai esclarecer o que fazer para impedir que a comida que as pessoas consomem em casa seja contaminada por bactérias que não se vêem mas que fazem adoecer. É que agora, enquanto os dias ainda estão quentes, os cuidados têm que ser dobrados.
As bactérias, de acordo com Ângela, existem naturalmente em todo o lado e em tudo o que nos rodeia. Estão presentes no corpo do indivíduo, na terra, no ar, na água e nos alimentos que se consome. Salvo algumas exceções. “Quando presentes nos alimentos em pequenas quantidades, as bactérias são geralmente inofensivas. Mas, quando as bactérias encontram alimento, umidade, tempo e sobretudo temperaturas favoráveis, crescem aumentando rapidamente o seu númeroâ€, explicou.
Ângela disse que neste caso, algumas delas podem causar doenças. Portanto, é importante saber que a temperatura tem um papel muito importante na conservação de alimentos seguros para o consumo.
As bactérias crescem muito rapidamente a temperaturas entre 4ºC e 60ºC, duplicando o seu número em apenas 20 minutos. “Esta gama de temperaturas é chamada de zona de perigo. É por isso que nunca se deve deixar alimentos fora do frigorífico por mais de duas horas. E, se a temperatura for superior a 32ºC, os alimentos não devem ficar fora do frigorífico por mais de uma horaâ€, disse a nutricionista.
A carne crua seja ela de aves, porco, vaca ou outro tipo, deve ser sempre cozida de modo em que a temperatura interna seja adequada e, por isso, segura. O ideal então, de acordo com a nutricionista, seria utilizar um termômetro para alimentos para poder verificar-se a temperatura no interior da peça de carne que se cozinha.
A nutricionista disse que as temperaturas (aproximadamente 100ºC) que se atingem durante o cozimento em água, assados no forno ou fritura são, em geral, suficientemente elevadas para destruir as bactérias que podem causar intoxicações alimentares. Mas, quando assar carne deve regular a temperatura do forno a um mínimo de 170ºC. “A carne picada (vaca, vitela, carneiro e porco) deverá ser cozida até que a temperatura no interior atinja os 70ºC. A carne picada proveniente de aves deverá, no entanto, ser cozida até a temperatura interior atingir os 75ºC. Os bifes e o rosbife deverão ser cozidos até a temperatura interna atingir os 65ºC para a carne mal passada, 70ºC para médio e 75ºC para carne bem passada. Para os bifes de frango ou peru a temperatura interna deverá atingir os 75ºC. Enquanto que para frango ou peru inteiros, a temperatura interna deve de ser 85ºCâ€, explicou.
Conselhos básicos
Para evitar a contaminação dos alimentos durante a sua manipulação, é indispensável seguir algumas regras simples. Os quatro conselhos que se seguem poderão reduzir significativamente o risco de contaminação e intoxicação:
Limpe: lave com bastante freqüência as mãos e todas as superfícies onde prepara os alimentos.
Separe: evite as contaminações cruzadas. Para isso, separe os alimentos crus dos cozidos.
Cozinhe: cozinhe os alimentos em temperaturas adequadas (utilize um termômetro para alimentos).
Arrefeça: guarde os alimentos no frigorífico o mais rapidamente possível.