Regional

Crimes transformam vida nas pequenas cidades

Redação
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Morar no “interiorzão” já não é mais garantia de tranqüilidade. O número crescente de furtos, roubos e homicídios nos últimos meses está modificando a vida dos moradores das cidades de pequeno porte da região. Alarme via rádio, cerca elétrica, circuito interno de TV e vigilância especializada 24 horas já fazem parte do cotidiano das pessoas que, até pouco tempo atrás, deixavam os vidros do carro aberto e a chave no contato.

Casos como o seqüestro, no início de fevereiro, da mulher e três filhos do empresário Luís Renato de Souza, de Itapuí, cidade que tem pouco mais de 10 mil habitantes, ou o assalto à Nossa Caixa de Cabrália Paulista, município com cerca de 4.500 habitantes, em outubro do ano passado, são considerados “atípicos” pela polícia, mas assustam a população.

O empresário José Maurício Lenharo, de Itapuí, há oito meses foi obrigado a mudar sua rotina, após um assalto ao seu supermercado. Segundo ele, dois homens armados e encapuzados o renderam na frente de sua casa, à noite, e obrigaram-no a voltar ao mercado e abrir o cofre. Lenharo conta que já fora assaltado em março de 2000, após 20 anos de comércio sem sustos, mas que não havia sido tão grave quanto o mais recente.

O maior medo do empresário é de que, um dia, seus filhos acabem sendo envolvidos em algum assalto. Para garantir a segurança da casa, ele comprou um cachorro pit-bull e construiu muros de quatro metros de altura. No supermercado, instalou alarme e monitoramento de TV. “Eu e minha família mudamos os hábitos, a gente vive preocupado agora. Se saímos à noite, avisamos a polícia”, afirma. De acordo com alguns moradores de Macatuba, que tem pouco mais de 15 mil habitantes, o problema da criminalidade no município está “terrível”. A principal preocupação é com o número de roubos, que vem aumentando há três anos, segundo informações oficiais.

O farmacêutico Almir Galassi, 48 anos, é um exemplo de como as pequenas cidades, como Macatuba, estão assustadas com a criminalidade. No dia 20 de fevereiro, Galassi foi surpreendido por dois homens armados e mascarados quando fechava sua drogaria, por volta das 21h30. Ele conta que tem a farmácia há 26 anos, e que nunca havia sido assaltado. “Eu já tinha alarme, mas fui pego na hora de fechar. Agora, não vou poder ficar além do horário aqui”, diz. Galassi também planeja, em breve, contratar um vigia noturno. A cunhada do farmacêutico, Terezinha Ramos Damasceno, diz que, hoje em dia, não deixa mais nem a porta de casa “encostada”.

Problema crônico

Das cidades visitadas pelo JC, Lençóis Paulista é a única que ultrapassa os 50 mil habitantes. Lá, o sossego do Interior parece já ser coisa do passado. Segundo o delegado titular da cidade, Luiz Cláudio Massa, Lençóis vive um “problema crônico” de furtos e roubos. Em 2000, foram registrados 51 roubos na cidade. No ano passado, o número pulou para 78, num aumento de mais de 50%.

Carlota Ravanelli Artioli, 73 anos, está traumatizada com os roubos ocorridos em seu bar na última semana - desde dezembro passado, já foram quatro. No domingo, dia 17, ladrões entraram pelo forro quando o estabelecimento já estava fechado. Na quarta-feira seguinte, dia 20, quatro assaltantes armados chegaram às 19h30. Carlota estava sozinha no bar e o aparelho que aciona o alarme estava longe de suas mãos. Ela foi rendida e os ladrões levaram R$ 80,00 e alguns pacotes de cigarro.

O genro de Carlota, José Roberto Di Donato, afirma que os roubos mudaram a vida de toda a família. “Eu e minha mulher estamos mudando para a casa da minha sogra, porque ela não quer mais ficar sozinha. Aqui no bar, sempre temos que estar em dois”, relata. Carlota, por sua vez, conta que agora anda sempre com o acionador do alarme junto a ela.

Na última sexta-feira, dia 8, Lençóis Paulista registrou um “seqüestro-relâmpago”. Sandro Roberto dos Santos, que tem dois traillers de lanche na cidade, foi rendido por uma quadrilha enquanto ia a um sítio comprar alface. Os indivíduos queriam cartões de banco e talões de cheque. Graças a suposta inexperiência dos bandidos, Santos conseguiu fugir.

O delegado Massa afirma que uma “operação conjunta” das polícias civil e militar conseguiu prender o bando em flagrante, no mesmo dia. “Eles (os seqüestradores) disseram que iam matar a vítima, porque ela conhecia um deles”, relata. Segundo o delegado, os detidos eram todos moradores de Lençóis Paulista.

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