Cultura

Vander Vicentin inverte a materialidade

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 2 min

Vamos supor a composição artística de um quadro convencional. Usando uma tela retangular como suporte, o artista criaria sua obra com tintas e - hoje em dia uma prática mais comum - outros materiais, no caso das texturas.

O artista plástico radicado em Bauru Vander Vicentin, 24 anos, simplesmente inverteu essa relação suporte/matéria para compor seus trabalhos na exposição “Olhar sobre a Materialidade”, a partir de hoje, às 20h30, na galeria da Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes.

Em vez de suporte (tela) duro e material (tinta) mole, Vander faz justamente o contrário. Ou seja, a tela - não necessariamente retangular, importante frisar - passa a ser qualquer outro elemento “mole”, como o couro e o carpete.

Aproveitando das texturas desses suportes já na base, ele busca sua tinta em matéria rígida, como madeira e areia.

O resultado são obras abstratas de cores bastante singulares, quase sempre frias, como o preto, cinza, branco e verde. “O vermelho, que é uma cor, eu uso como material, um complemento à obra”, define o artista, formando em Artes Visuais na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru.

“Tem gente que fica com a impressão de uma coisa inacabada, velha”. Claro que isso tudo é proposital.

Afinal, Vander mantém as cores originais de seus suportes e materiais. Assim, a madeira tem cor de madeira. O carpete, verde, fica como original. “Procuro conservar a cor dos materiais, uso no máximo três cores numa obra. Para unificar mais o quadro”, explica.

Vander baseia seu trabalho na obra o artista catalão contemporâneo Antoni Tàpies, que foi o responsável por levar materiais como a areia para as composições visuais.

A corrente é chamada de arte povera (arte pobre), pelo baixo custo de material. “Meu local de trabalho parece um canteiro de obras”, brinca o artista. Estranho, talvez, mas a originalidade fala alto, às vezes de maneira primitiva, rupestre. Em outras, iconográfica, sutil. O desafio da esfinge está lançado: “decifra-me ou devoro-te”. Mas quem quer engolir arte de bandeja?

Serviço

Vander Vicentin expõe “Olhar sobre a Materialidade”, na galeria da Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes. Abertura hoje, 20h30, grátis. Até dia 23. Rua Amazonas, 1-41. Informações: (14) 231-1100.

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