Regional

Bariri decide sobre termelétrica

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Bariri - Representantes do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) participam hoje de uma audiência pública, em Bariri. Eles querem ouvir dos moradores opiniões sobre a possível instalação de uma usina termelétrica na cidade. A tendência é de aprovação ao projeto. O Instituto Ambiental Vidágua deve ser um dos únicos participantes da audiência a manifestar preocupação com a obra.

A reunião está marcada para as 19h, no Clube Umuarama. Já confirmaram presença, além dos representantes do Consema e do Vidágua, prefeitos e vereadores de Bariri e Boracéia, duas cidades que devem ser diretamente afetadas pela construção da usina.

Um dos mais animados com a possibilidade da concretização da obra é o prefeito de Bariri, Francisco Leoni Neto (PTB). Desde o início, ele se mostrou favorável ao projeto, pois acredita que o mesmo pode representar um impulso no desenvolvimento da cidade.

Recém-chegado de uma viagem a Uruguaiana (RS), onde a AES mantém uma usina termelétrica, Neto Leoni mostra-se mais tranqüilo quanto aos impactos ambientais que a obra poderá representar para a comunidade local. Durante visita à cidade gaúcha, tanto ele quanto os vereadores de Bariri e de Boracéia, puderam conversar com moradores e com profissionais da área da saúde sobre o que aconteceu com o meio ambiente por causa da usina, instalada há dois anos.

“Conversamos com a população e ninguém reclamou da poluição. Hoje, eu concordaria com a construção da usina”, relatou o vereador Edmundo Francischini (PTB), presidente da Câmara de Boracéia, que antes da viagem a Uruguaiana mostrava-se bastante preocupado com a questão.

Na audiência de hoje à noite, Edmundo informou que deve ser apresentado um manifesto, assinado por ele e pelo prefeito Wilson Sipione (PFL), apontando alguns pontos que eles consideram falhos no projeto elaborado pela AES.

Essa deve ser a mesma atitude do Instituto Ambiental Vidágua: apontar falhas. De acordo com o conselheiro do instituto, Rodrigo Agostinho, o estudo de impacto ambiental divulgado pela empresa conteria falhas, que devem ser exploradas na audiência de hoje à noite.

Os ambientalistas devem aproveitar a oportunidade para alertar sobre os supostos riscos inerentes à construção de um gasoduto entre Gavião Peixoto e Bariri. O gás, indispensável ao funcionamento da usina, passaria, segundo Agostinho, sob rios importantes como o Jacaré-Pepira.

Outra preocupação do Instituto Vidágua é com a poluição. Entre as substâncias que devem ser lançadas no ar pela termelétrica estaria o dióxido de enxofre, responsável pela chuva ácida. Segundo Agostinho, no caminho dessas substâncias estaria Bauru. Estudos do Vidágua indicam que os ventos que passam por Bariri normalmente seguem em direção a Bauru.

Financeiramente, a instalação da usina termelétrica em Bariri deve representar um aumento na arrecadação de Imposto Sobre Serviço (ISS), em um primeiro momento, e de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a longo prazo.

Um acordo verbal entre os prefeitos de Bariri e Boracéia estabelece que, caso a usina seja efetivamente construída, os impostos serão divididos entre as duas cidades. Segundo informou Leoni Neto, a divisão do ISS será em partes iguais. Entretanto, do ICMS somente 17% ficará com Boracéia. O restante vai para os cofres de Bariri. De acordo com o prefeito, nessa divisão foram usados critérios técnicos como expansão territorial e número de habitantes.

Segundo a assessoria de imprensa da AES, a construção da usina deve consumir cerca de US$ 450 milhões (aproximadamente R$ 1,1 bilhão) e terá capacidade para gerar 750 MW de energia - quantidade suficiente para atender ao consumo de dois milhões de residências.

Além de gerar empregos diretos durante os 24 meses de construção, a usina deve contribuir para o aumento da oferta de energia elétrica.

Autorização deve demorar

Bariri - A audiência pública de hoje à noite não tem caráter deliberativo, segundo informou a secretaria executiva do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema). A reunião servirá apenas para que a população possa se manifestar sobre o assunto e apresentou documentos contra ou a favor da construção da usina termelétrica. A autorização definitiva, se acontecer, deve demorar um pouco mais.

Segundo a assessoria, todos esses documentos serão analisados por uma equipe do Consema, que em seguida emitirá um parecer e o encaminhará ao Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental. Não há previsão de quanto tempo levará todo trâmite burocrático até a expedição da licença para o início da obra.

Na reunião de hoje à noite, no Clube Umuarama, devem estar presentes o secretário executivo do Consema e coordenador do evento, Germano Seara Filho, o diretor Sérgio Paschoal Pereira e uma equipe técnica do Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental.

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