Numa noite chuvosa, repleta de raios e trovões, água por todos os lados, ele apareceu. Pequenino, assustado, ali estava ele. O destino fora cruel. Como uma criaturinha daquele tamanho poderia sobreviver a tudo e a todos naquelas condições? Foi um Vitória. Como num Primeiro de Maio, onde a festa se sobrepõe à realidade, ele nasceu.Tímido, solitário, foi ganhando volume. Dia após dia, apesar das adversidades, crescia a olhos vistos. Já grandinho, gabava-se anonimamente do seu sucesso. Resistiu e muito bem. Nem aquelas criaturas bípedes empunhando armas mortais, num ritual estranho, o incomodavam. Conseguiu safar-se muitas vezes, sem ser apagado da face da terra, por aquela substância preta, amorfa, fumegante tal qual a visão mais sombria do inferno.Constitue família e seus dias já não são solitários. De perfeita genética, procria de forma rápida e assustadora. Muitos filhos já o cercam, a alegria toma conta do local. A felicidade se completa, com a vinda dos netos. Numerosos, fazem algazarra e se divertem a cada tempestade, pois conseguem conquistar novos amigos. Nosso personagem tetravô, já cansado, esfarelado pelo tempo, vive de memórias, relatando aos netos suas proezas. Lembra com saudades da ECCB, quantos pneus.... da bicicleta.... aquela moto 125.... a idosa.... boas lembranças. A vida continua e nosso personagem, sua esposa, genros, noras, netos, primos, todos estão lá, Vitoriosos como num Primeiro de Maio, no Jardim das Belas Vistas e por coincidência no cruzamento da rua Vitória com a Primeiro de Maio. Esse personagem lhe parece familiar? (Eduardo Alves Rodrigues - RG 9123787 - e-mail : ealrodrigu@globo.com)
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