Ulysses Guimarães, líder político por anos a fio, costumava dizer: “Enquanto houver um só brasileiro passando fome, não teremos democracia.†D. Hélder Câmara, líder religioso católico, negava-se à alimentação regular, ou adequada, protestando: “Muitos comem muito pouco, enquanto poucos comem muito.†Ambos queriam dizer a mesma coisa. Ambos queriam ensinar que a solidariedade e tolerância com os nossos semelhantes menos informados, menos vigorosos ou saudáveis, são quesitos imperiosos para uma humanidade mais feliz.
“Atravessando a Ruaâ€, uma das brilhantes obras de Richard Simonetti, ensina-nos referenciais tão simples quanto profundos, numa leitura fácil e descontraída, ao alcance de qualquer alfabetizado de boa vontade. Ao contrário de um tribuno que irrompeu neste púlpito para cravar incredulidades, ultrajando evangelhos e evangelizadores, lembramos aqui um dos capítulos do referido livro, com a licença do eminente escritor espírita Richard Simonetti. Aliás, diga-se de passagem, fatos como este mostram que o mundo, por determinação divina, sempre teve os seus “notáveisâ€, em todos os segmentos de trabalho e aprimoramento moral. Notáveis ou veneráveis.
De certo, pela legislação americana, ou nova-iorquina, o prefeito sentenciava questões policiais simples. E, La Guardia, antigo prefeito, inseriu famosas decisões na história daquele Tribunal de Nova York. A sabedoria e originalidade que trazia consigo faziam lotar o recinto daquele foro. Certa vez julgou um acusado que roubara pão numa “padaria movimentadaâ€. E o réu, mal vestido, de má aparência, “era a própria imagem da misériaâ€. Depois de submetê-lo a interrogatório, e consultado testemunhas, La Guardia considerou-o culpado, e aplicou-lhe uma multa de US$ 50,00. Como alternativa, a prisão.
Em seguida, dirigiu-se à pequena multidão que presenciava o julgamento, e disse resoluto: “Quanto aos presentes, estão todos condenados a pagar meio dólar cada um, importância que servirá para liquidar o débito do réu, e restituir-lhe a liberdade.†E, diante da “estupefação geralâ€, encerrou dizendo: “Estão multados por viverem numa cidade onde um homem é obrigado a roubar pão para matar a fome!...â€
O compromisso para um Brasil melhor e uma humanidade mais feliz, é de todos nós. E tanto os livros religiosos, como os “notáveis†que sabem pregar o bem, espalhar a luz, são responsáveis pela nossa melhoria moral. Essa é a melhoria que nos falta. Não nos cabe detestar evangelhos e evangelizadores, portanto!... (Antonio Ribeiro Corrêa - RG: 4.168.220)