É uma epidemia: 60% dos americanos estão acima do peso; 30% são obesos. Nos últimos três anos, a população dos Estados Unidos engordou duas vezes e meia o que havia engordado nas quatro décadas anteriores. Com base em estudos divulgados no país, neste ano, a obesidade deverá ultrapassar o tabaco como o inimigo público número um da saúde dos americanos.
O americano Tony Strates, especialista em obesidade, disse em entrevista à revista americana “The Next†que o problema é social. Os mais ricos conseguem emagrecer, compram livros e programas de dieta, freqüentam spas e academias. Os mais pobres comem alimentos mais baratos - mas menos saudáveis -, têm menos acesso a informações sobre dieta e se exercitam pouco.
Ele explica que a crescente epidemia de obesidade obrigou as autoridades a tomar providências.
No Globo Repórter da semana passada falou-se sobre o primeiro prefeito americano a declarar guerra à gordura. Ele é um ex-obeso: John Street, o prefeito de Filadélfia. Há três anos, a cidade, de maioria negra, era a campeã da obesidade no país. Agora caiu para o quarto lugar.
No ano 2000, o prefeito lançou a campanha “76 toneladas em 76 diasâ€. Trinta mil pessoas se inscreveram no programa. O prefeito contratou a professora de ginástica Gwen Foster para ser a czarina da boa forma.
Para a cidade emagrecer 76 toneladas, bastaria que cada participante perdesse 2,5 quilos. Mas, ao fim dos 76 dias, Filadélfia só tinha emagrecido 11 toneladas. Hoje, Gwen Foster, que continua na guerra contra a obesidade, não se considera derrotada. Afinal, Filadélfia deixou de ser a cidade mais gorda.
O que deu certo na campanha foi a idéia de formar grupos de apoio que se reúnem na hora do almoço. Surgiram equipes nos locais de trabalho, como enfermeiras que trabalham no mesmo hospital. Todo dia, elas saem para caminhar mesmo que a temperatura esteja bem perto de zero.
Alimentação
Não é à toa que Filadélfia virou a capital dos gordos nos Estados Unidos. O prato mais popular da cidade, famoso em todo o país, é um sanduíche cheio de carne, queijo, cebola frita e muita gordura. Um cozinheiro garante que come só dez por semana, mas os colegas revelam que, na verdade, ele devora dez por dia.
A campanha do emagrecimento dividiu Filadélfia. Quem é contra parece decidido a recuperar as toneladas que o outro lado está perdendo. No centro da cidade, um mercado demonstra que a gordura não tem nacionalidade. A mais popular é a comida dos Amish, colonos de origem holandesa, que oferecem porções gigantescas.
A favor da campanha da prefeitura, só mesmo uma cozinheira que faz um cheese steak vegetariano. Parece carne assada, mas é uma massa de trigo, marinada no tempero especial de dona Alfonsi.
O exemplo de Filadélfia serviu de inspiração para o Brooklyn. O novo administrador da região mais obesa de Nova York vai lançar em abril uma campanha de emagrecimento. Será um concurso entre os bairros do Brooklyn para ver quem emagrece mais.