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Cursinho atende a alunos carentes

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Seguindo o lema “educação de qualidade para todos”, um grupo ligado à Igreja Católica e à Sociedade dos Amigos pela Cidadania e Meio Ambiente colocaram em prática um projeto que atende estudantes que querem ingressar em um curso pré-vestibular mas não têm dinheiro para custeá-lo. Com ajuda da igreja, de profissionais da área da educação e de universitários, o projeto foi colocado em prática no dia 16 de fevereiro. Desde então, cerca de 50 alunos se reúnem todos os sábados em uma sala cedida pela Paróquia de Santa Luzia, no Jardim Flórida, para aprender desde questões matemáticas mais complexas até um resumo dos livros mais pedidos nos exames vestibulares.

As aulas começam as 8h e só terminam à tarde, por volta das 17h. Durante esse tempo são feitas duas pausas de dez minutos e um intervalo de uma hora para o almoço. Para a aluna Regiane de Fátima Simini, 19 anos, o fato de passar o sábado todo estudando não é motivo para lamentar. “Eu não acho ruim. O importante é aproveitar essa oportunidade e estudar bastante”, disse ela para depois completar que pretende prestar vestibular para medicina veterinária.

Maria de Lourdes Pereira, 24 anos, ainda não se decidiu entre Psicologia e Enfermagem. No entanto, sabe que sem dedicação aos estudos sua pretensão profissional poderá naufraugar. Ela informou que trabalha durante o dia, estuda à noite, na 3.ª série do ensino médio, e aos sábados freqüenta o cursinho pré-vestibular.

Outro aluno, Marcelo Nogueira, 23 anos, ressaltou a força de vontade do grupo. Segundo ele, só está participando do cursinho quem realmente está disposto a estudar. “Isso faz com que o curso renda mais. Todos estão mostrando bastante vontade de aprender. Isso é bom”, afirmou.

Se os próprios alunos estão gostando do empenho do grupo, os professores mais ainda. Marcelo Bulhões, 35 anos, professor de Literatura, mesmo sem receber salário pelo trabalho, mostra-se bastante satisfeito. “Os alunos são muito interessados e isso é gratificante. Eles têm a consciência da necessidade do aprendizado”, disse. Bulhões é formado em Letras, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e fez mestrado e doutorado na Universidade de São Paulo (USP).

Segundo Waldir Caso, 46 anos, um dos coordenadores do cursinho, todos os professores trabalham de forma voluntária. Nem todos são formados. A maioria é composta por alunos ou ex-alunos da Unesp, mas há também um professor da Universidade do Sagrado Coração (USC) e outros da rede pública de ensino.

Dos alunos, os coordenadores cobram uma mensalidade de R$ 10,00. De acordo com Caso, esse dinheiro é destinado ao custeio das apostilas (elaborada pelos professores), do material de apoio, como transparências para retroprojetor, e do lanche, que é servido duas vezes ao dia.

Praticamente todos os alunos são moradores do Jardim Flórida ou de bairros próximos a ele, como Beija-Flor e Santa Luzia, por exemplo.

Duas faltas não justificadas implica no cancelamento da matrícula do aluno, segundo informou o coordenador. Nesse caso, assume a vaga um aluno que esteja na lista de espera, que tem atualmente 20 nomes.

“Com esse projeto, nós queremos possibilitar aos alunos dessa região a igualdade de condições frente àqueles que tiveram a oportunidade de estudar em boas escolas”, sintetizou Caso, referindo-se à disputa pelo ingresso nas universidades públicas. Segundo ele, os alunos carentes estão em desvantagem nessa briga. “Nosso objetivo é tentar mudar essa realidade, pelo menos com esses alunos”, explicou.

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