Um volume cada vez mais expressivo de pessoas, especificamente a classe média, tem preferido pagar os fundos de previdência privada em detrimento das contribuições oferecidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O resultado desse interesse é que, conforme reportagem publicada em uma das edições quinzenais da revista Exame deste mês, somente no ano passado o setor cresceu 40% no País em relação ao ano anterior, tendência que vem sendo mantida há, pelo menos, cinco anos. O motivo principal alegado pelos que procuram esse tipo de investimento é financeiro. Normalmente, os valores das contribuições pagas pela iniciativa privada são maiores que as do INSS.
Há pelo menos cinco anos o aposentado bauruense Luiz Reis Portella de Menezes começou a pagar um plano de previdência privada para seu filho, o jovem professor Washington Petracca de Menezes. Ele justifica sua opção ressaltando que a aposentadoria através do INSS é muito pequena e não corresponde economicamente aos recolhimentos efetuados durante os anos de contribuição. “Sou aposentado pelo INSS e, se eu fosse viver somente com os recursos dessa aposentadoria, teria de voltar a trabalharâ€, afirma.
Ele enfatiza que, graças à previdência privada, seu filho poderá aposentar-se em 2025 recebendo um valor maior que a do INSS. “Além disso, as parcelas podem ser deduzidas do Imposto de Rendaâ€, diz o aposentado.
Para Luiz, é necessário, além de pensar no “amanhã†para garantir um futuro mais tranqüilo, planejamento. “Quando meu filho nasceu, em 29 de janeiro, logo no dia seguinte me preocupei em abrir uma caderneta de poupança para ele. Assim, na oportunidade em que completou 18 anos, tive condições de enviá-lo até a Alemanha para fazer um curso de idiomas em Munique e outras viagens.â€
A idéia de pagar um fundo privado também é apoiada por seu filho. Washington destaca que, além de estar aposentado com 50 anos, terá um dinheiro disponível que poderá ser usado para iniciar a aposentadoria de seus futuros filhos ou até mesmo em um novo investimento. “Posso utilizar, ainda, uma parcela desse recurso para uma emergência ou um gasto extra que se faça necessário. E provavelmente meu filho também fará isso com o deleâ€, considera Washington.
Investimento
A bancária bauruense Leila Maria Ruiz Penteado também é adepta, há três anos, de um fundo privado de previdência. A beneficiária é sua filha de 15 anos que, de acordo com as regras do contrato firmado irá aposentar-se aos 50 anos. “A previdência privada é mais moderna e traz mais amparo para minha filha do que uma poupança tradicional por vários motivos. O brasileiro, em uma característica na qual me incluo, não tem o perfil de poupador e dificilmente consegue manter a regularidade dos depósitos em uma cadernetaâ€, afirma Leila.
Mas para a bancária, as vantagens de um fundo privado de previdência em relação à poupança não se restringem apenas a fatores comportamentais. “A rentabilidade é bem maior e há a vantagem de, no caso de morte de um dos pais, o beneficiário receber uma pensão que já está incluída no plano até completar a maioridade. No meu caso, se eu morresse, o valor que contribuo hoje o fundo continuaria pagando para minha filha até os 21 anosâ€, considera Leila.
Segundo a bancária, a previdência privada deve ser encarada como um investimento. “Com isso, estarei garantindo o futuro da minha filha e auxiliando até sua vida estudantil e profissionalâ€, finaliza.