Apesar do abandono na maioria dos espaços públicos de Bauru, algumas áreas verdes resistem ao abandono e conservam a tradição de reunir famílias. A Praça da Paz é o melhor exemplo disto na cidade. Centenas de pessoas migram dos mais diferentes bairros para passear por ali, principalmente aos finais de semana, quando é comum ver crianças brincando, casais namorando e muitos comendo lanches.
â€œÉ uma praça que tem vida porque é usada e tem ‘olhos’. Ela está cercada por prédios, vizinhos, comerciantes e carros que observam o local e ninguém se sente inseguroâ€, destaca a professora de Paisagismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp-Bauru), Norma Constantino.
Outro exemplo é o Bosque da Comunidade no Jardim Dona Sarah, muito procurado para caminhadas e outros exercícios físicos. “Algumas pracinhas de bairros também resistem, porque os moradores se apropriam delas, plantam suas mudinhas, cuidam e curtemâ€, afirma.
Para a professora, a proposta de adoção das praças pela sociedade é muito promissora e deve ser a melhor saída para impedir o fim da praças como espaços de encontro social. “No Jardim Botânico de Curitiba, por exemplo, quando fizeram os primeiros canteiros, os moradores roubaram todas as mudas. Então, fizeram um programa com jovens da periferia, que tornaram-se jardineiros. Eles recebem para cuidar, aguar, tirar folhas secas e não deixam ninguém tocar nas flores. O lugar é deles e isso é fantásticoâ€, defende.
Constantino salienta que, ao serem adotadas, as praças deverão ter uma melhora de 100% na manutenção, que é um dos fatores que afasta o cidadão. “Bancos quebrados, luminárias danificadas, vegetação morta são coisas que precisam ser resolvidas, porque são tão importantes quanto a segurança e os ‘olhos’â€, conclui.