Política

Macedo sai antes de perder a cabeça

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O prefeito Nilson Costa (PPS) anunciou, ontem, que aceitou oficialmente o pedido de exoneração do presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Sérgio Macedo. Ainda pela manhã, a Administração Municipal anunciou que o cargo seria ocupado pelo advogado Alfredo Enéas D’Abril. Contudo, no final da tarde, D’Abril decidiu não mais aceitar o convite alegando problemas particulares.

A saída de Macedo do DAE já estava acertada há pelo menos uma semana. Alfredo D’Abril, que foi secretário dos Negócios Jurídicos de Nilson Costa, foi convidado para assumir a autarquia há seis dias. O emissário do prefeito foi o atual secretário jurídico, Luiz Pegoraro. Desta forma, Nilson tratou de buscar um substituto para Macedo logo depois que os vereadores aprovaram, na Comissão Especial de Inquérito (CEI), no dia 7 deste mês, o pedido de afastamento.

Como parte da estratégia oficial da comunicação de sua exoneração, ontem, Sérgio Macedo distribuiu cópia da carta encaminhada ao prefeito. Ele não quis esperar que a Câmara Municipal de Bauru exigisse sua saída do DAE. O que era previsto aconteceu no início da noite. Os vereadores decidiram, por 19 votos a zero, impor ao prefeito sua saída. O fato ocorreu na votação do relatório final da CEI do DAE pouco depois das 19 horas.

Mais tarde, por telefone, D’Abril justificou que resolveu rever o convite de comandar o DAE por problemas pessoais. Ele comentou que um problema familiar teria surgido, o que o levou a modificar sua posição. Nos bastidores, a informação é que o ex-secretário foi alertado por pessoas próximas sobre as surpresas desagradáveis que poderia ter que enfrentar ao participar de apurações e fatos ainda sem explicação. “Diante do fato familiar que surgiu, eu resolvi rever minha decisão de aceitar o convite. Mas acredito que seria um bom desafio administrar o DAE”, explicou.

Nilson Costa não se manifestou. O prefeito não falou nem sobre o convite feito a D’Ábril nem sobre a saída de Macedo. De qualquer forma, com a exoneração do presidente, o chefe do Executivo cumpre uma das exigências aprovadas ontem pela CEI. Agora, Nilson terá 30 dias para nomear um auditor independente para apurar a renúncia de receita comprovada pela comissão de inquérito. Mas o Executivo estaria disposto a considerar atendido o pedido com uma auditoria já em andamento solicitada ao Sindicato dos Contabilistas.

Ainda ontem, a assessoria de imprensa da Prefeitura distribuiu uma nota informando que o chefe de Gabinete do DAE, Gervásio Antonio Domingues Figueiredo, responderia pelas decisões do dia-a-dia até que o prefeito indique novo presidente.

Na Câmara Municipal, a saída de Macedo foi considerada uma antecipação a problemas administrativos que enfrentaria na Promotoria.

Antecipação

Na carta demissionária enviada ao prefeito, Sérgio Macedo ressalta medidas tomadas em sua gestão. Ele também informa que a exoneração era uma antecipação à decisão da Câmara de pedir sua cabeça.

Macedo lembra que foi diretor, assessor e presidente da autarquia. “Durante esse período, dei o melhor do meu esforço no sentido de manter o DAE como entidade de escola na Administração de Bauru”, cita. O ex-presidente se sentiu desgastado com as denúncias levantadas contra a autarquia nos últimos meses. “Minha permanência na autarquia, nas condições políticas criadas, vem trazendo inquietação à valorosa equipe de servidores do DAE. As recentes deliberações da CEI em curso na Câmara Municipal colocam a minha saída da presidência como condição para pacificação do ambiente político-partidário”, escreve ao prefeito.

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