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Sem-terra participam em Bauru de protesto contra leis trabalhistas

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) que chegaram a Bauru no início da noite de ontem, após um dia inteiro de marcha, vão participar, hoje, do protesto da Central Única dos Trabalhadores (CUT) contra o projeto do governo federal que prevê alterações em um artigo da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). A atividade faz parte da paralisação nacional, organizada pela central sindical, marcada para hoje em todo País.

Geraldo de Oliveira, integrante do MST, conta que os sem-terra vão engrossar a passeata e a concentração na área central de Bauru, marcada para começar às 9 horas. “Vamos participar das atividades da greve pela manhã. Depois, à tarde, decidiremos se vamos embora ou não”, diz. O JC recebeu uma informação, não confirmada pelo MST, que o grupo deve fazer um outro protesto, por reforma agrária, na cidade.

A caminhada dos sem-terra, denominada de Marcha por Justiça e Paz, começou em Guarantã. O grupo - cerca de 250 pessoas, segundo o movimento saiu de Guarantã na segunda-feira à noite em direção a Bauru.

A marcha é uma forma de protesto pela demora na desapropriação de terras e contra a prisão de seis integrantes do MST do acampamento de Iaras. Ontem, na chegada a Bauru, os sem-terra - homens, mulheres e algumas crianças - enfrentaram chuva forte. O grupo, que chegou pela rodovia Marechal Rondon, entrou na cidade pela rua Floresta e seguiu para os sindicados dos Metalúrgicos e dos Bancários, ambos na área central, onde iriam passar a noite.

Havia a expectativa de que os sem-terra poderiam acampar em alguma praça da cidade, mas eles foram direto para os sindicatos. A mudança dos planos teria sido motivada pela chuva, que caía sem parar no início da noite. Nos sindicatos, eles iriam jantar, tomar banho e dormir.

Paulo Vieira Lima, coordenador da subsede da CUT, diz que o Sindicato dos Metalúrgicos havia liberado o salão de festas para os sem-terra passarem a noite. O prédio, segundo ele, tem banheiros e toda a estrutura necessária para receber os sem-terra.

Os sem-terra haviam acampado, anteontem à noite, no assentamento de Palmares, em Presidente Alves. Ontem pela manhã, o grupo seguiu viagem, sempre tendo a companhia de um carro de som do Sindicato dos Bancários. Os pertences dos sem-terra, incluindo colchões e roupas, vieram em um ônibus que seguia a marcha.

Um outro veículo seguiu a marcha para dar suporte aos sem-terra, de acordo com Geraldo. “Esse carro transportou o almoço, feito no assentamento de Palmares, e água. Paramos no meio do caminho para comer e depois seguimos viagem novamente”, conta. Além dos assentados de Presidente Alves, integraram a marcha grupos de sem-terra de Promissão e Guarantã.

PM acompanha

Toda a marcha dos sem-terra, desde Guarantã até Bauru, foi acompanhada de perto pela Polícia Rodoviária. O grupo ocupou uma pista da rodovia e chegou a Bauru sem incidentes. Na cidade, uma viatura da Polícia Militar seguiu o grupo até os sindicatos. O capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Cia da PM, conta que se os sem-terra acampassem em área pública eles teriam a companhia de uma equipe com uma viatura, que permaneceria no local a noite toda.

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