Cultura

Municipal traz peça de Arrabal

Redação
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O grupo Boca de Baco apresenta hoje, 21h, no Teatro Municipal, o consagrado espetáculo “Fando e Lis”, do autor espanhol Fernando Arrabal. Inserido no projeto Cena Aberta, da Secretaria Municipal de Cultura, o grupo ministra ainda um workshop gratuito sobre processo de construção dos personagens da peça.

Escrita em 1955, “Fando e Lis” constitui uma obra dividida em cinco quadros em que o humor, a tragédia, o amor e a crueldade se fundem na busca de um lugar mítico que se presta às mais variadas interpretações.

Por um caminho, Fando conduz Lis, que é paralítica. Seguem rumo a Tar. Durante a jornada do casal acontece o encontro com três outros personagens. A convergência e as relações internas desses personagens heterogêneos se explicam em razão de um projeto comum: seguir até Tar.

A tragédia mostra o absurdo da convivência humana. Lis consegue encontrar certa fascinação no sofrimento. Domina a situação e é capaz de levar Fando ao desespero. Na história, as inversões brutais na relação dominado-dominador, marca de Arrabal tão presente em “Fando e Lis”, são reveladas em seus mais sórdidos e humanos segredos.

Existem paralelismos entre as obras de Samuel Beckett e Fernando Arrabal, mais concretamente encontrados entre “Fando e Lis”, de 1955, e “Esperando Godot”, de 1953.

Enquanto em Beckett os personagens estão sempre à espera de Godot, em Arrabal eles buscam chegar a Tar. Mas em ambos os casos, nunca conseguem.

A direção e concepção é de Luiz Valcazaras. O elenco conta com Beto Passini, Jackeline Seglin, Paulo Munhoz, Nivaldo Oliveira e Walter Baltazar. A tradução do texto é de Marcos Losnak.

O autor

Fernando Arrabal Terán nasceu em 1932, em Melila, na Espanha. Vive na França desde 1955, quando partiu para um exílio voluntário durante o regime do general espanhol Francisco Franco.

Com a morte do ditador, em 1975, muitos artistas puderam retornar ao país, exceto Arrabal. As autoridades espanholas nunca perdoaram o fato dele denunciar publicamente a repressão política e de refletir em sua obra as contradições de seu país de origem.

Arrabal é um dos últimos grandes representantes do Teatro do Absurdo, contribuindo com um rico inventário sobre o comportamento humano após a Segunda Guerra Mundial.

Tendo assistido ao drama da Guerra Civil Espanhola (seu pai era comunista e a mãe católica), aborda em suas obras temas como o pânico, a crueldade, a servidão e a loucura.

Seu pai, Fernando Arrabal Ruiz, foi oficial do exército. Preso por não ser partidário das idéias republicanas, foi levado à loucura e ao suicídio, fatos determinantes na vida e na obra de Arrabal.

A infância e a adolescência de Arrabal foram marcadas por uma imposta e rígida educação religiosa. O ambiente gelado e deformador da família do autor, aliado à censura velada em relação à vida de seu pai, além da atmosfera imposta pela pressão da igreja, são os cenários que Arrabal carimba em sua obra até hoje.

Autor de mais de 50 peças, além de filmes, novelas, livros de poesia, ensaios sobre xadrez, cartas polêmicas e exposições de pinturas, Arrabal pode ter sua obra dividida em três períodos importantes: primeiro-teatro, teatro-pânico e teatro-pânico-revolucionário.

Entre suas peças mais conhecidas estão “O Arquiteto e o Imperador da Assíria”, “Cemitério de Automóveis”, “Guernica”, “Piquenique no Front” e “O Jardim das Delícias”.

Também foi o responsável por importantes roteiros de cinema, como “Viva a Morte!”, de 1971 e “Irei Como um Cavalo Louco”, de 1973.

Serviço

“Fando e Lis”, hoje, 21h, no Teatro Municipal. Ingressos: R$ 5,00 e R$ 2,50 (estudantes). Avenida Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 235-1072.

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