Apesar da possibilidade de sentir vários sabores, gostos diferentes que são apreciados ou não, o ser humano é capaz de distinguir apenas quatro sensações gustativas básicas: azeda, salgada, doce e amarga.
Algumas vezes, um sabor que parece agradável para uns, não é para outros. Ou o que parece muito doce para uma pessoa, pode ser amargo para outra. Isso se deve ao número de papilas que tornam uma ou outra sensação mais aguçada.
De acordo com o otorrinolaringologista Helder Fernandes de Aguiar, a língua, constituída de músculo estriado, é o orgão receptor das impressões gustativas. Sua superfície superior e lateral apresenta um grande número de papilas gustativas. Cada papila é dotada de terminações nervosas, que transmitem ao cérebro o paladar.
Aguiar conta que os receptores sensíveis aos sabores doce e salgado são mais numerosos na ponta e porção anterior da língua. Quem recebe o gosto ácido encontra-se ao longo das bordas laterais da língua; já o sabor amargo, na porção posterior.
Todo indivíduo tem 12 pares de nervos cranianos. O primeiro par é o olfatório. A gustação, de acordo com Aguiar, se dá por dois pares de nervos cranianos. Um é o nono par que oferece a sensibilidade gustativa de dois terços anteriores da língua, que é o salgado e o doce. A parte posterior, que é o azedo e o amargo, é dada por um outro par de nervo craniano. “O olfatório joga suas terminações nervosas na mucosa nasal. Outros dois nervos, o facial e o glossofaríngeo, colocam suas terminações nervosas na língua, através das papilas gustativas, que também existem em pequena quantidade na mucosa oral, na boca, mas, basicamente, estão na línguaâ€, disse.
O gosto e o olfato são considerados sentidos químicos pois registram a presença de substâncias com as quais a língua e o nariz entram em contato.
Não se sabe exatamente como acontece a recepção do sabor. Acredita-se que haja uma interação entre as substâncias ingeridas e as proteínas receptoras do poro gustativo. Essa interação conduz a despolarização das células nervosas, iniciando o estímulo gustativo.
Aguiar explica que, se o indivíduo tem uma lesão, por menor que seja, o sabor dos alimentos será alterado. “Um exemplo disso são aquelas pessoas que dizem, por exemplo, que tudo que comem parece salgado ou tudo o que comem parece azedo. Isso não é uma perda. É um desequilíbrio da função gustativaâ€, explicou.
Ele afirma que, nesses casos, o que muda é o número de papilas que tornam um ou outro sabor mais aguçado. “O costume também interfere, mas é uma questão de enervaçãoâ€, disse.
Aguiar explica que nas perdas por trauma, as alterações gustativas e olfativas, se não regredirem após a melhora do edema, que ocorre em dias, geralmente são irreversíveis.
Os distúrbios da quimio-sensibilidade, olfação e gustação, não são doenças e sim sintomas de doenças, por isso o tratamento da anosmia (perda completa do olfato) e da ageusia (perda total do paladar) depende da sua causa.
As células do paladar e do olfato são as únicas do sistema nervoso que são substituídas quando velhas ou danificadas.
O ouvido, como os outros sentidos, está ligado ao cérebro através de nervos que enviam as informações que serão decodificadas e entendidas.
Aguiar diz que se a pessoa tiver um problema na condução do som, que são casos de má formação de ossos, da orelha, de conduto, de fixação de ossos ou de catarro dentro do ouvido pela comunicação com o nariz. “Esse tipo de surdez é chamada de surdez parcial. A pessoa pode ainda, ter lesões no nervo. São as congênitas tipo rubéola, toxoplasmose, meningite, acidentes, traumas e medicaçãoâ€, disse. Ele detalha que a lesão do nervo pode ser leve, moderada, severa ou profunda, que é a surdez total e só se resolve com um implante coclear. “Essa cirurgia é altamente sofisticada e o maior número no Brasil é feita em Bauru, pelo Centrinhoâ€, afirmou.
Cotonete não é para ouvido
Aguiar conta que a cera do ouvido, em primeira instância, é uma proteção. Ela é capaz de matar bactérias, fungos, só que, às vezes, a pessoa produz uma quantidade excessiva de cera e com isso forma uma espécie de rolha, uma barreira entre o ar e o tímpano. Nesse caso está indicada a remoção da cera, mas nunca com cotonete. “Ele é muito grande para o conduto auditivo e empurra a cera para dentro. O ideal é o uso do lenço de papel. Cotonete é para limpar narizâ€, disse.
As rolhas de cerume são encontradas mais freqüentemente em adultos. A remoção do tampão de cerume, de acordo com o médico, pode ser feita através de uma lavagem com água esterilizada morna, jamais com água fria ou quente em demasia, para não causar estimulação labiríntica, empregando uma seringa apropriada.
Funções do nariz
• Proteção: proteger o corpo humano contra as agressões ambientais, altamente eficiente e polivalente. Essa função pode ser dividida em quatro aspectos principais: identificação de alimentos e/ou substâncias nocivas ao organismo, condicionamento do ar inalado, barreira às partículas e agentes agressores e reflexogênica.
• Respiratória: A respiração nasal não é imprescindível à vida. Pacientes com obstrução nasal sofrem desconforto, mas sem maiores problemas.
• Olfatória: Apesar do olfato do ser humano não ser tão acentuado como em alguns animais, ele é de fundamental importância no relacionamento com seus semelhantes e com o ambiente que o cerca, já que permite diferenciar odores agradáveis ou não e nocivos (como alimentos estragados e gases tóxicos). Atua na função gustativa, caracterizando o sabor dos alimentos; quando uma pessoa perde a olfação, sente a sensação de ter perdido cerca de 40% a 60% do sabor.
• Ressonância: O nariz contribui para a alteração do som produzido nas pregas vocais. Quando o véu do paladar estiver flácido ou rebaixado, o som é modificado pela ressonância naso-sinusal, sendo acusticamente notado com um som nasal, como na emissão das letras m e n. Quando o véu do paladar estiver elevado ou tenso, o som será modificado pela ressonância naso-sinusal, sendo acusticamente percebido como um som não nasal,por exemplo, ao pronunciar as letras p e b.
Perda temporária do olfato e paladar
O médico Helder Aguiar diz que quando uma pessoa peça uma gripe, os nervos olfatório e facial ficam inchados. Isso porque esses nervos que dão a sensação de doce e salgado passam por dentro do ouvido e quando se está com gripe, joga-se a secreção para o ouvido e acaba inchando o nervo. “Não é que quando a pessoa está gripada, ela perde o paladar. Na verdade, ela perde o olfato e não sentindo o cheiro da comida, perde-se a vontade de comer, não o paladarâ€, explicou.
Essas perdas temporárias do olfato e, conseqüentemente, do paladar, são chamadas de hipogeusia e hiposmia. Isso ocorre porque o indivíduo precisa das terminações nervosas da boca e, principalmente, do nariz para sentir cheiros e sabores. Com a gripe, elas ficam inflamadas e não conseguem perceber os estímulos.
Para piorar a situação, aumentam as secreções, que não deixam as moléculas odoríferas e as que dão sabor à comida encostarem nessas terminações.