Professores, alunos e funcionários das escolas estaduais de Bauru saíram às ruas ontem para orientar a população sobre os perigos da dengue e a importância de se identificar e eliminar os criadouros do mosquito Aedes aegypti. Eles participaram da segunda edição do “Dia D†contra a dengue, seguindo uma resolução do Governo do Estado.
Em Bauru, todas as escolas abriram das 8h às 18h. Alunos, professores e funcionários foram divididos em equipes. Enquanto alguns fizeram uma minuciosa varredura nos próprios prédios de ensino, outros fizeram visitas em estabelecimentos comerciais e residências, e outros fizeram pedágios no trânsito.
Nestas ações, foram distribuídos milhares de panfletos. Além de explicar como identificar o mosquito e a doença, os informativos indicam os locais mais favoráveis para a proliferação do pernilongo da dengue: pratos sobre vasos, plantas aquáticas, calhas, pneus, caixas de água, bebedouros e vasilhas de água de animais, potes, filtros, garrafas e latões de água, ralos, lixo, baldes e bacias, imóveis fechados.
O principal objetivo da campanha era convencer a comunidade de que a única forma de eliminar a doença é erradicar o mosquito e que isso depende exclusivamente da participação de cada cidadão.
Ações
Na escola Christino Cabral, além de conscientizar a população nas ruas, membros do grêmio estudantil prepararam uma mistura de água e sal (1kg para cada 50 litros) e espalharam por toda a escola. “A professora de biologia ensinou que a mistura salgada mata as larvas, então espalhamos em ralos, telhados, vasos, marquises, calhas, encanamentos, bebedouros - todos os lugares que acumulam águaâ€, comenta o suplente do grêmio, Éder Silva do Nascimento.
A diretora da unidade, Roseli de Fátima Silva, ressalta que a população demora muito para conscientizar-se dos riscos da doença. “Há anos nós conhecemos o mosquito e sabemos como ele se reproduz. Mas a comunidade espera a doença se manifestar e ameaçar nossa saúde para começar a combater o inseto. Agora, temos que correr atrás do prejuízoâ€, lamenta.
A diretora da escola Ernesto Monte, Heloise Helena Cerqueira de Souza, estima que um terço dos alunos matriculados participou da campanha. “Eles estão aplicando o que aprenderam na sala de aula na conscientização dos vizinhos, motoristas, comerciantes e pedestresâ€, afirma.
Segundo ela, agentes de saúde encontraram criadouros o mosquito há alguns anos dentro da escola, numa caixa de água que estava com a tampa danificada. Na época, a instituição recebeu uma advertência da prefeitura. A partir de então, iniciou-se o projeto “Prevenção também se ensinaâ€, que inclui várias outras doenças. Atualmente, funcionários vistoriam a escola duas vezes por semana em busca de focos do mosquito.
O dirigente regional de Ensino, Jair Sanches Vieira, cita outras ações, como os alunos da escola Francisco Antunes, que fizeram uma apresentação teatral numa feira livre para mostrar como o mosquito se comportaria na multidão. Já na escola Iracema Castro Amarante, os alunos criaram oficinas de música, desenho e dramatização para representar o problema.
Segundo Vieira, só a Direção Regional de Ensino atuou em 72 escolas da região. No Estado de São Paulo, cerca de 5,8 mil unidades de ensino participaram as atividades de combate à dengue.
Ausência da comunidade
Na escola José Aparecido Guedes Azevedo, no Jardim Bela Vista, apenas professores e funcionários participaram da campanha pela manhã. De acordo com a diretora, Stella Regina de Azevedo Garcia, a falta de participação deve-se à pouca divulgação. Ela comenta que a resolução foi anunciada na quinta-feira à noite e a sexta-feira foi dedicada ao Dia da Comunidade, quando não há aulas.
Mesmo assim, a diretora confirma que a comunidade precisa participar mais das atividades da escola e garante que vários projetos estão sendo implantados neste sentido. “Principalmente para trazer os pais para dentro da sala, para que saibam como funciona a instituição e possam apresentar sugestõesâ€, afirma.
Vale ressaltar que o Jardim Bela Vista é um dos bairros mais problemáticos na cidade nesta época do ano, sendo a região que mais apresenta mosquitos da espécie aegypti e, conseqüentemente, mais casos confirmados da dengue. Ainda assim, poucos moradores mostraram interesse pelas atividades do “Dia Dâ€.
Para o dirigente regional de Ensino, Jair Sanches Vieira, qualquer número de pais que tenha participado é muito interessante. “Você começa a conscientizar e as pessoas vão conversando, dando depoimentos próprios, levando a informação para casa, para os amigos e aumentando a aceitação da comunidade. Mais positiva ainda é a iniciativa do governo em abrir essa discussão, porque ele está defendendo a vida e a cidadaniaâ€, conclui.