Todos nós, eleitores ou não, somos testemunhas vivas de que a luta pela redemocratização alimentou a esperança e gerou a expectativa de que as mudanças na estrutura política seriam a solução para os graves problemas sociais. Chegamos a acreditar que a democracia seria o caminho para melhoria da qualidade de vida, mas os resultados obtidos, até agora, mostram-se injustos e perversos para a maioria da população. Estamos a viver num quadro de exclusão social que nos empurra para a guerrilha urbana. Miséria, preconceito e corrupção são os principais responsáveis pelo processo de exclusão social que estamos vivendo. Por mais que o contrário se diga, a miséria está levando à marginalidade milhões de pessoas. O preconceito afasta das relações sociais outros tantos. A corrupção, esse câncer que corrói a Nação, inegavelmente, gera a exclusão na medida que o dinheiro público é desviado da educação, da saúde, da habitação, da segurança, dos transportes (plataforma política de todos os candidatos), prejudicando aqueles que mais dependem dos serviços públicos, ou seja, os mais carentes.
Combater a corrupção em todas suas facetas é, antes de tudo, uma exigência da sociedade para se acabar com esse fosso que exclui as pessoas deixando poucas possibilidades de vida digna e de pleno exercício de cidadania, negando a todos, excluídos ou não, o direito à esperança de um futuro mais justo para si e os seus. Estamos assistindo ao esgotamento dos procedimentos e práticas políticas vigentes. A cada dia torna-se mais urgente a necessidade de se repensar o papel do Estado e da atividade política. Urge a implementação da fidelidade partidária, não há mais lugar para o político saltitante; pois afinal, quando votamos, votamos na mensagem-proposta de um partido. E a troca de partido durante o mandato parlamentar é uma traição feita ao eleitor. Deve o político entender que o voto recebido não é um cheque em branco, é, antes, um compromisso ético para com o eleitor.
Não podemos tolerar mais a política desvinculada do bem comum e da ética da coisa pública.
Vamos, através do voto consciente, recuperar as políticas públicas, instituir a transparência como fio condutor das ações governamentais, garantir direitos e estimular a participação popular e a cidadania, criando mecanismos mais efetivos de fiscalização, de aferição da vontade popular e de participação comunitária nas decisões, para restaurar a legitimidade, a eficiência e a credibilidade de nossas instituições.
Ainda hoje temos políticos que colocam com ênfase em seus “curriculuns†o exílio sofrido, esse mesmo exílio que lhes permitiu estudar, se doutorar e ministrar aulas em universidades francesas, americanas, chilenas, etc... enquanto os que aqui ficaram só tiveram um privilégio: o de sofrer. Abençoado seja o exílio propiciado pela Revolução de 64 para esses políticos. Para eles, a Revolução de 64 foi um bem e não um mal.
É bom nos lembrarmos que a hora de votar não é apenas o momento de se cumprir uma obrigação legal mas, antes, é a oportunidade de se renovar as instituições.
Vote sempre. Mas vote conscientemente, pois votar nem sempre é reeleger, mas sim, renovar. (José Carlos Dias da Silva - RG: 2.252.100)