Conhecida por ter associado o perfil de Bauru a um “chão-de-passagemâ€, no meio da década passada, a pesquisadora Lúcia Helena Ferraz Sant’Agostino teve a sua tese de doutorado aprovada pela Universidade de São Paulo (USP) com um conceito totalmente renovado da cidade.
De acordo com a pesquisadora, Bauru não pode mais ser vista como uma cidade homogênea, mas sim como um espaço fragmentado, com diferentes formas de viver e pensar coexistindo.
A tese “Rumo ao Concretoâ€, resultado de seis anos de pesquisa, levou a experiência de 77 moradores de seis bairros da cidade para a universidade. O mais curioso, no entanto, foi a forma como a pesquisadora obteve a participação dos “usuários†da cidade.
Com a ajuda de alunos, Lúcia Helena propôs que moradores da Bela Vista, Jardim Europa, Jardim Aeroporto, Redentor, Vila Independência e Terra Branca fotografassem seus bairros. Depois disso, ela entrevistou cada um dos colaboradores. As cerca de 1.000 fotos resultantes do processo serviram para embasar a tese.
Uma das surpresas desse estudo é um levantamento com os colaboradores do trabalho que aponta, por exemplo, que 25% dos moradores moram na Vila Independência há mais de 40 anos. Na Bela Vista, 23% vivem no bairro entre 21 e 25 anos.(veja gráfico ao lado)
Os números, levantados, ressalte-se que por amostragem, evidenciam que a idéia do chão-de-passagem merece, pelo menos, ser relativizada.
Mas o maior mérito do trabalho é o fato dele subverter a relação distante entre a universidade e a comunidade. “Se engana quem pensa que a universidade serve para ficar lendo livroâ€, defende Lúcia Helena.
Além disso, mostra que a capacidade crítica das pessoas não está relacionada com a educação formal. “As pessoas sabem muito bem o que é bom e o que é ruim nos bairros delasâ€, argumenta. “Num modelo participativo de gestão urbana, eles teriam sugestões preciosas de como empregar o eventual dinheiro destinado ao bairroâ€, completa.