Tribuna do Leitor

BENEDICTO CÉSAR, HERÓI E MÁRTIR BAURUENSE

Isolina Bresolin Vianna
| Tempo de leitura: 2 min

No dia 18 de março de 1955, morria, ao serviço da aviação de vanguarda, a primeira vítima do avião a jato no Brasil, o jovem capitão bauruense, Benedicto César, aos vinte e cinco anos, ele que vivera e sonhara sempre com aviões e espaço aéreo, ao lado de seu grande e inseparável amigo, Osires Silva, companheiro de sonhos e ideais.

O Ziquinho, como nós o chamávamos, sempre junto ao amigo Osires, falava, desenhava, sonhava, sempre e sempre com espaçonaves e vôos e velocidade e espaço sideral. E foi assim que o destino o levou a bordo daquele avião a jato, um dos primeiros, em 1955 e lá se foi o Ziquinho para o espaço.

Bauru carregava e creio que carrega ainda um certo destino ligado à aviação, como escreveu a poeta Semíramis Mourão, patrona da cadeira 12 da Academia Bauruense de Letras, da qual sou a ocupante atual. Em um de seus mais inspirados poemas, dedicados a Bauru, diz, referindo-se a Bauru “cidade de aviação, ninho de aves gigantes” e vemos, ainda hoje mais bauruenses brilhando lá fora, referências internacionais, como o major Pontes, como piloto espacial e Ricardo Alejandro Yague, como engenheiro de tecnologia de ponta, a serviço da Nasa, atuando junto à estação espacial internacional, com a sua competência. São dois bauruenses de escol, esses vivos e atuantes e talvez o Ziquinho, se não tivesse sua vida oferecida em holocausto pelo seu sonho, ainda estivesse entre nós, se não atuando ainda, mas pelo menos apoiando esses outros bauruenses, seus irmãos de sonhos e ideais.

É por isso que eu venho sugerir que esse nosso herói-mártir seja lembrado e homenageado tendo o seu nome dado como nome de batismo do novo aeroporto de Bauru. Que, pelo menos um dos tantos “santos da casa” que nunca são reconhecidos, seja este pelo menos, pois deu a sua própria vida, jovem promissora, atuante, competente e corajosa, cheia de sonhos. Que um sonho ao menos se realize, tendo o seu nome lembrado para sempre, nesta cidade onde ele nasceu e que tanto amou. (Isolina Bresolin Vianna)

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