Polícia

Preso acusado de molestar criança

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O aposentado Carlos de Almeida Castro Neto, 60 anos, foi preso em flagrante, na manhã de ontem, acusado de molestar uma menina de 7 anos que ele teria raptado em Marília, na terça-feira. Ele negou que tivesse abusado sexualmente da menina, porém admitiu ter levado-a para sua casa, que fica próximo ao Terminal Rodoviário de Bauru.

O caso só foi descoberto graças à esperteza da menina, que se cansou de ficar com Castro Neto e resolveu sair para pegar um ônibus para sua cidade. Na rodoviária, ela foi vista perambulando sozinha. A polícia foi acionada e ela contou que havia sido trazida pelo aposentado. A menina levou os policiais militares até a casa do acusado, na quadra 4 da rua Timbiras, cerca de 100 metros da rodoviária.

Os policiais foram atendidos por Castro Neto, que vestia apenas uma cueca. Ele explicou que em sua casa costumava andar assim. “Estava em casa e com esse calor ando só de cueca”, argumentou. Ele permitiu a entrada dos policiais, que encontraram fitas com imagens pornográficas e imagens eróticas.

Sobre as fitas, o aposentado disse que eram imagens feitas em família. Posteriormente, admitiu que as moças filmadas exibiam-se para ele. “Eu sempre quis fazer caridade. Essas moças aparecem aqui. Precisam de banho e comida. Eu deixo elas tomarem banho e elas pedem para ser filmadas”, argumenta.

Um aparelho de choque, correntes, quatro fitas cassetes, cadeados e muitas Bíblias foram encontradas na casa de Castro Neto. Sobre o aparelho de choque, o acusado alegou ter comprado-o na Feira do Rolo por curiosidade. As correntes e cadeados, segundo ele, eram para trancar o portão.

De chupeta na boca, a menina contou que foi trazida para Bauru na última quarta-feira. “Ele (Castro Neto) me trouxe e fazia eu sentar perto dele no sofá. Ele dizia: “Vem cá amor da minha vida”, conta. Segundo ela, o aposentado abraçava e beijava seu pescoço. “Ele me abraçava e dizia para eu tomar banho com a porta aberta. Ele me alisava e colocava o dedo em mim”, disse à polícia.

O aposentado confessou que estava em Marília, na última quarta-feira, quando encontrou a menina. “Ela estava na rua. Falou que não tinha para onde ir e queria conhecer Bauru. Eu fiquei com dó e a trouxe”, conta, garantindo que não manteve relações sexuais com a menor. “Não fiz nada com ela. Podem fazer os exames. Eu fiquei de cueca. Não sei o que vocês estão achando estranho. Na praia todo mundo fica semi-nu. No Carnaval também”, ressalta.

Ele admitiu que a menina dormiu duas noites em sua cama. “Ela dormiu na beirada da minha cama”, conta. Sobre a suspeita de moléstia sexual, o sexagenário disse não se lembrar. “Eu não me lembro de ter passado a mão nela. Minha memória não anda boa. Estou esquecido”, diz.

Segundo ele, a menina não fugiu de sua casa. “Eu falou que estava com saudade da mãe. Eu disse que iria colocá-la em um ônibus. Quando voltei na sala, ela tinha ido embora. Eu não a expulsei” afirma.

Investigações

O caso vai gerar uma série de investigações, segundo a delegada Rejani Borro Tiritan, titular da DDM. “As fitas foram encaminhadas à polícia técnica para serem decupadas. Os vizinhos serão ouvidos, assim como as testemunhas. A mãe garante que uma pessoa em Marília viu quando o acusado deixava a cidade com a menor”, conta a delegada.

A polícia vai tentar identificar as pessoas que aparecem nas fitas. “As mulheres que forem identificadas, se menores, poderão acionar a Justiça através de seus responsáveis. O crime é de ação privada e necessita de representação”, explica.

Segundo a delegada, Carlos Almeida de Castro Neto não tem passagens pela polícia. “Ele é primário, mas vai ficar preso porque o abuso sexual é crime hediondo. Ele fica à disposição da Justiça”, frisa.

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