Economia & Negócios

Celular atinge 64% da telefonia fixa

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 6 min

A telefonia móvel é um dos setores que mais cresce no Brasil. Atualmente, o número de aparelhos celulares em operação em São Paulo já corresponde a 64% do total de linhas fixas. São 12,5 milhões de assinantes da Telefonica, contra 8 milhões das operadoras Tess, Telesp Celular e BCP (que atua na Grande São Paulo).

De acordo com uma pesquisa realizada pela Latin Panel, empresa ligada ao Grupo Ibope, o índice de usuários de celular saltou de 13,5% para 18,3% da população brasileira em um ano. Ou seja, atualmente 28,7 milhões de pessoas possuem telefone móvel no País.

Isso é praticamente o dobro do que existia em novembro de 1999, quando apenas 9,7% da população do País tinha acesso aos equipamentos de comunicação. Em todo o mundo, a diferença entre o número de linhas fixas e móveis é mínima. Já são quase 1 bilhão de celulares contra 1,045 bilhão de telefones convencionais. A informação é da União Internacional de Telecomunicações (UIT), que ressalta o potencial de crescimento da telefonia móvel nos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos (caso do Brasil).

De acordo com o economista Reinaldo César Cafeo, o celular deixou de ser visto apenas como sinal de status, como há alguns anos. Hoje ele é instrumento de trabalho para muitas pessoas, que desenvolvem atividades nas ruas e experimentam o corre-corre diário. “Atualmente ter um celular passou a ser necessidade, pois as pessoas precisam ser localizadas a qualquer momento durante o período que exercem suas atividades profissionais”, explica.

É o caso do lancheiro Marcelo Joaquim da Silva. Ele comprou um aparelho há oito meses e o considera de grande utilidade para o seu dia-a-dia. “Eu trabalho na rua e não tem como me localizar de outra maneira, a não ser pelo celular”, salienta.

Ele adquiriu um aparelho de segunda mão, pagando R$ 150,00. Para baratear a manutenção do equipamento, Silva optou pelo pré-pago. “Eu prefiro assim, pois não preciso ter vínculo com nenhuma empresa e o custo é menor”, ressalta.

Ele utiliza o celular mais para receber ligações. Quando tem a necessidade de ligar para alguém, o lancheiro procura um orelhão. “O preço da tarifa é alto e não compensa ficar fazendo ligações do celular. A não ser que seja uma emergência”.

O diretor de marketing da operadora Tess, responsável pela cobertura no Interior e Litoral do Estado, Rodrigo Vidigal, confirma que o estopim para o crescimento do setor no Brasil foi o lançamento da modalidade pré-paga. “O valor de assinatura da linha sempre foi muito elevado, o que assusta os consumidores”, diz.

A preferência pelo pré-pago é evidente. Hoje, 80% dos aparelhos comercializados pela operadora são dessa modalidade. No País, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o índice não é muito diferente: 68% dos aparelhos utilizam a tecnologia pré-paga.

Isso acontece devido à desvinculação do cliente com contas. Além de não precisar pagar assinatura básica - que varia de R$ 13,00 a R$ 310,00, dependendo do plano escolhido pelo cliente -, a pessoa pode programar o quanto vai gastar com o uso do seu telefone.

Para Cafeo, essa é uma das grandes invenções da telecomunicação. “Dessa maneira o usuário consegue controlar as suas despesas sem estourar o orçamento”, salienta.

Valor do minuto

Os telefones pré-pagos são indicados para quem utiliza o equipamento mais para receber chamada do que para fazer. Isso porque a tarifação do minuto é muito mais cara do que o pós-pago. Para se ter uma idéia, no Plano Básico da Telesp Celular o minuto de conversação sai por R$ 0,25 no horário reduzido. Já no Baby - modalidade pré-paga -, o custo da ligação é de R$ 1,20 o minuto, uma diferença de 380%.

A promotora de vendas Simone de Souza Franco sabe exatamente o que isso significa. No início do ano passado, ela adquiriu um modelo pré-pago. Passado alguns meses, ela decidiu mudar para o pós-pago, achando que seria vantajoso economicamente.

No início, ela gastava uma média de R$ 60,00 por mês. Mas, com o passar dos meses, Simone se empolgou com o uso do celular e a conta disparou. Chegou a R$ 350,00. “Levei um susto quando vi o valor que teria de pagar”, diz. Ela ainda ficou um tempo com o aparelho, mas não conseguia baixar o total da despesa para menos de R$ 180,00.

“Não teve outra saída: voltei para o pré-pago”, explica. Hoje ela diz que controla ao máximo o uso do equipamento e está se mantendo numa média de R$ 50,00 mensais de crédito.

O vendedor de churros Benedito Lopes possui três aparelhos celulares em sua casa - um dele e os outros dois, dos filhos. Ele optou pelo pré-pago para poder ter um controle mais rigoroso do uso. Mesmo assim, gasta cerca de R$ 200,00 por mês para abastecer os aparelhos. “Se fosse o pós-pago ia ficar bem mais caro”.

Lopes é um exemplo de consumidor que engrossa as estatísticas da telefonia celular, que vem crescendo consideravelmente entre as pessoas mais simples. Só para ter uma idéia, para comprar os três aparelhos de celular ele precisou comercializar 600 churros (a R$ 1,00 cada, sem levar em consideração que desse valor ele precisa retirar seu investimento na barraca).

Já o funcionário público Wagner Roberto Evangelista é adepto do pós-pago. Ele comprou um aparelho há quatro meses e está satisfeito com sua média de gasto - em torno de R$ 60,00 mensais. “Eu uso mais para fazer ligação e, no meu caso, compensa pagar a assinatura e ter o valor do minuto reduzido”, diz.

462 milhões de celulares deverão ser vendidos neste ano no mundo

De acordo com uma pesquisa realizada pela Micrologic Research, a expectativa para este é de que sejam comercializados 462 milhões de telefones celulares em todo o mundo. Esse montante supera o total vendido no ano passado (387 milhões) e no ano 2000 (403 milhõ es). A China é hoje, ainda segundo o estudo, o maior mercado mundial em termos de celular. Mas, ele aponta o continente americano como grande promissor no quesito telemóvel.

O economista Reinaldo César Cafeo diz que o Brasil tem um potencial enorme de consumo. Mas, será preciso algumas reformas para que o avanço da telefonia celular atinja patamares ainda maiores do que o atual. “Para algumas camadas da população, o preço desse serviço ainda é proibitivo”, salienta.

Ele acredita que, com a evolução da tecnologia, a tendência é de barateamento dos aparelhos e dos valores cobrados pela manutenção da linha. “Só assim será possível conquistar, em números reais, novos consumidores”.

A Tess, operadora que cobre o Interior e o Litoral paulista, tem planos agressivos de crescimento para este ano. De acordo com o gerente de marketing da empresa, Rodrigo Vidigal, a idéia é expandir o número de cidades atendidas. “Estamos investindo algo em torno de R$ 200 milhões neste ano”, salienta.

Na região de Bauru, segundo ele, no primeiro trimestre do ano, a operadora dobrou o número de cidades atendidas. Até o final do ano, a expectativa é triplicar a área de atuação.

A diretoria da Telesp Celular também foi procurada para analisar o mercado. Mas, de acordo com a Assessoria de Comunicação da operadora, não foi possível localizar nenhum responsável pelo setor de marketing da empresa.

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