Articulistas

É preciso saber

(*) N. Serra
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Somente a um fenômeno se poderia atribuir essa avalanche de drogas entorpecentes que se vem despejando desmedidamente sobre todos os quadrantes do País, como uma epidemia que até há pouco sufocava apenas jovens e adultos, de ambos os sexos, e, agora, alcança também, com seus terríveis tentáculos, até mesmo crianças. Teria isso sido conseqüência de desleixo dos poderes públicos ligados à educação da sociedade, que deixaram de encaminhar uns e outros nos melhores sentidos da vida sadia física e moral? É bem possível que sim, a partir do prisma de que sem mestres ou orientadores ninguém consegue revestir o corpo com o manto específico na normalidade físico-humana. E não unicamente isso, importante que se considera que não bastaria aos órgãos de governo estimular escolas e famílias na pregação do conhecimento dos males que as drogas provocam no organismo das pessoas. Teriam as autoridades de ir bem mais longe cerceando o mais possível a produção dos entorpecentes, dentro da certeza absoluta de que quando não se têm coisas para comer e beber a solução é ficar sem elas, fechando-se a boca e se retraindo o estômago. Não se tomaram tais providências e aí estão barcos de todo tamanho naufragando nas águas pestilentas da cocaína e demais venenos. Nem por isso, no entanto, podem considerar-se perdidas as esperanças da vida, e é digna de encômios, portanto, a campanha que os poderes públicos passaram a desenvolver, agora, contra a insidiosa perversão. Conscientemente, sempre é tempo de se ensinar coisas boas aos carentes. Temos, por exemplo, em nossa mesa de trabalho, exemplar do folheto “O que todo jovem precisa saber sobre as drogas”, do sociólogo David Wilkerson, no qual o conhecido autor de “A cruz e o punhal” adverte de que a maconha quebra a resistência para outras drogas, preparando o organismo para o alcoolismo e a toxicomania; destrói os valores morais, especialmente os padrões sexuais; aumenta a tensão arterial e pode causar desastres de automóveis, além de produzir ilusões, depressões e alucinações. Por seu turno, o LSD é tão poderoso que o equivalente a um comprimido de aspirina pode afetar a mente de 1.500 pessoas. Já mandou milhares de usuários para asilos de loucos. De outro lado, o STP, que deve ter recebido o nome de um aditivo para gasolina (petróleo tratado cientificamente) arrasa a mente dos seres, com seus efeitos que continuam normalmente por três ou quatro dias consecutivos. Nessas abreviaturas da heroína dá para se perceber claramente todos os seus malefícios, os quais seus atuais usuários não podem desconhecer e precisam convir de que nunca é tarde para se reencontrarem. Que o Governo não pare sua campanha. E que os toxicômanos não deixem de considerar os apelos e advertências que leiam nos jornais e revistas ou vejam nas telinhas da televisão. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado

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