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Virgindade desrespeitada

(*) N. Serra
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Estão sendo rigorosamente investigadas em toda a África Ocidental denúncias segundo as quais, em troca de um pequeno prato de comida, crianças de campos de refugiados da região vêm sendo irrevogavelmente obrigadas a prestar favores sexuais a soldados de manutenção de paz, assim como a componentes de instituições de ajuda humanitária e até funcionários da Organização das Nações Unidas, que não são poucos nem retraídos. As acusações pesam sobre centenas de pessoas de 40 entidades diferentes e decorrem de entrevistas formuladas com aproximadamente 1.500 pessoas, no final do ano passado, em zonas urbanas e rurais de Serra Leoa, Libéria e Guiné, quando se começou a realizar ali amplo estudo com o propósito de detectar a realidade pessoal das crianças refugiadas a fim de melhor atendê-las em suas necessidades mais prementes. “Para conseguir alguma coisa alimentar, as meninas precisam entrar em negociação e perder o retraimento, muitas vezes tendo de oferecer seus órgãos sexuais para uso desenfreado de dominantes da área” - diz o primeiro relatório levantado pelo estudo da comissão investigante, com base no qual pretende a ONU partir imediatamente para as devidas reprimendas, que prometem ir às últimas conseqüências. E o faz segundo os mais expressos ditames da melhor justiça, face às acusações, graves e sérias, envolvendo garotinhas em uma prática que nem a mulheres adultas seria admitida em troca de bens gratuitos, como os dos alimentos, destinados exclusivamente a vítimas dos conflitos bélicos, até porque fornecidos pela caridade, sem dúvida elogiável, de associações e grupos de amparo humanitário.

Deplora-se que a manutenção da vida de tantas e tantas filhinhas de Deus esteja condicionada, naquelas infelizes paragens, à troca de alguns comestíveis por uns rápidos embalos sexuais e que a sua continuidade não possa prosseguir sem a criminosa transformação das meninas em prostitutas profissionais, que transem na escuridão dos quintais ou na luminosidade dos “bordéis”, exatamente como vai acontecer com essas que a perversidade do destino está colocando à disposição de militares e civis privados, feliz ou infelizmente, nos campos de batalha e nos quartéis, da satisfação dos desejos de sua inata masculinidade. É fora de dúvida de que acabarão sendo mais algumas milhares de expoentes da sexualidade gratuita que impera no mundo, contribuindo para que mais e mais se deteriore a honesta destinação que, desde seu nascedouro, a mulher tem no contexto da humanidade. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado

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